O ego nosso de cada dia…

Publicado em: 20/03/2011

Alguns indivíduos pregam a liberdade de cada um ser o que quiser, o respeito ao próximo e o desprendimento dos bens materiais e das aparências em nome de valores espirituais e humanistas. Suas falas são calmas, doutrinárias, cheias de citações, pronunciadas em tom de mantra ou gritadas, quase sem respirar, talvez para não deixar pensar. Assim, têm em comum serem quase hipnóticos para os mais susceptíveis ou predispostos. Quem os ouve ou lê seus escritos imagina que eles sintetizam a humanidade em plenitude, quase beatitude e, porque não, divindade.

Por tudo isso, muitos se deixam seduzir por sua “sabedoria” e os transformam em “gurus”, conselheiros de vidas vãs. Mas, isto também pode servir aos interesses de ambos, sobretudo quando a vaidade é protagonista. Vaidade que os fará pensar que são melhores que qualquer um que não siga seus padrões ou opções. Vaidade que os fará pensar que a perfeição existe apenas onde eles estão ou no espelho em que se miram.

Nesse caso, suas boas intenções tendem a sucumbir ao culto pessoal. E isso quase sempre esconde uma incessante busca de autoafirmação, de superação de traumas e preconceitos que ao fim só revelam outros tantos. Mas, também pode encobrir a torpe intenção de tirar proveito da fragilidade dos outros.
O patético é que buscam essa superação pela alienação, pela afetação, pelas aparências, pelo discurso “sensível” e “espiritualizado”, mas que é negado em cada ato, exceto no falho.

Pregarão que todos são iguais, mas se sentirão melhores, paradigmas. Suas obras e feitos não serão apenas bons, mas referências a serem louvadas, apoiadas mediante várias formas de constrangimento, mas nunca imitadas. Um dia, sua presunção e arrogância, inatas ou adquiridas por formações estereotipadas e alienantes, serão tamanhas, que não mais reconhecerão seus erros e deslizes, embora os identifiquem em outros, fora ou, até, dentro de seu grupo. Quando muito, dirão que foram mal-interpretados.

Esses outros… Não passarão de insensíveis, incultos, impuros ou limitados se não reconhecerem seus “méritos”. A recíproca, no entanto, nunca será verdadeira. Mesmo quando elogiarem os outros estarão elogiando a si mesmos.
É assim na “política”, na “sociedade”, na “religião”… Digo isso entre aspas, porque a política, a sociedade e a religião estão muito acima deles, embora acreditem que são sua melhor síntese. Talvez por isso eles insistam em querer se apossar de partes delas e dar-lhes uma distinção que só lhes serve; que só lhes enaltece; que só lhes dá lucro, indulgência ou assunto para rodas inócuas de bate-papo.

Pode haver cultura e erudição em seus discursos, mas, sabedoria e inteligência…

Mas há, sem dúvida, algo significativo e notável neles: um imenso ego! Matéria-prima para pesquisa, para tentar compreender… Mas não para seguir!

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