O fenômeno chamado Rádio Camanducaia

Publicado em: 08/07/2008

Para todos os ouvintes da minha versão da Rádio Camanducaia, aqui vai uma pequena explicação do que vem a ser, ou melhor, do que veio a ser essa pérola do rádio… diversão e primeiríssima qualidade… (O anúncio do restaurante é uma homenagem ao programa Fraqüencia Urbana, particularmente ao pesoal que trabalha na novela A Lenda da Galinha Mamífera.)

Nascido em 1923, no interior do Estado de São Paulo, Estevam Sangirardi já era muito bem humorado, mesmo antes de ter o seu programa. Com algumas boas coincidências em sua vida, como, por exemplo, ter nascido no mesmo ano do surgimento do rádio no Brasil, ele teve grandes parceiros de programa e personagens que tiveram grande influência nos imitadores atuais.

Sangirardi começou no rádio em 1946, na Rádio Panamericana (atual Jovem Pan), fazendo locuções e programas voltados para o esporte. Tinha como companheiro Narciso Vernize, famoso por ser o ‘homem do tempo’ da rádio Jovem Pan, Wilson Fitipaldi, também conhecido com ‘O Barão’, pai de Emerson e Wilsinho Fitipaldi (precursores na participação no ‘circo’ da Fórmula 1) e Randal Juliano, apresentador da TV Record.

Em 1961 foi para a Rádio Bandeirantes, retornando para a Jovem Pan em 68. Nesses sete anos, cria personagens famosos como ‘Didu Morumbi’, ‘Joca do Coringão’, ‘Noninha do Palmeiras’, entre outros. Estes personagens personificavam os torcedores fanáticos, cada um com o estilo que caracterizava o perfil da torcida. Didu, um lorde que residia no chique bairro do Morumbi e tinha até mordomo que trazia suas especiarias. Joca, o representante do povo, falava sempre com expressões erradas, utilizando a linguagem própria da periferia. O ‘nôno e a noninha’, o idoso casal de imigrantes italianos (colônia fundadora do clube), sempre discutiam pela melhor jogada do ‘Parmera’.

Quando mudou-se para a Jovem Pan, Sangirardi iniciou o ‘Show do Intervalo’, programa que ia ao ar no intervalo dos jogos, onde ele fazia comentários e piadas com seus personagens. O sobrinho, Eduardo Ceporaci, era o seu companheiro de programa. Em 1978, Eduardo sai do programa para seguir a carreira universitária de Arquitetura, no Mackenzie. Sangirardi contrata uma nova equipe e nela estão Odair Batista, Weber Naganá, Nelson Tatá Alexandre. Começa então o famoso ‘Show de Rádio’, o programa humorístico de maior sucesso no rádio brasileiro, que ia ao ar no final dos jogos embalado por uma trilha sonora cujo início da letra já informava o seu propósito: ‘Show de Rádio é alegria, ele chega lá se vai nostalgia…’.

Um dos destaques de programa foi a Rádio Camanducaia, com o locutor formal e dono de uma voz empostada que cumprimentava a todos com o famoso bordão: “falando para a cidade e cochichando para o interior”.

Sangirardi era muito apegado ao seu trabalho, gostava muito do que fazia. Os textos eram feitos durante o jogo, copiados com papel carbono e distribuídos para a equipe logo após o término. Com isso Sangirardi conseguia sempre estar bem atualizado com as piadas e ‘mancadas’ de cada jogador ou figura do mundo do futebol.

Os personagens acima mencionados eram hilários, Jarbas, o mordomo dos torcedores do São Paulo, Joca ( ô nega , aaaahhhhhhhhn, traz duas ampola pa nóis comemorá os gor du curintia..) a noninha, todos enfim…

sabor de infância… sabor de futebol… sabor de Brasil…

se você se lembra de mais algum personagem ou outras memórias da Radio Camanducaia, por favor comente!!!

Fonte: http://supervicki.multiply.com/journal/item/18 

5 respostas
  1. Edemar Annuseck says:

    A matéria postada sobre o programa SHOW DE RÁDIO que o Sangirardi produzia e apresentava. Foi ao ar até o dia 5 de Julho de 1982 quando o Brasil foi eliminado pela Itália na Copa do Mundo. No Dia 11 de Julho estreou na Rádio Bandeirantes, na final do Mundial da Espanha, após o jogo Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental. Antes da presença de Odayr Baptista, Weber Laganá Pínfari, Nelson Tatá Alexandre, Carlos Roberto Escova, Serginho Leite, José Manoel, Lua entre outros. No início o Sangirardi apresentava o SHOW de RÁDIO com o Eduardo Leporaci da familia do Vicente Leporaci (acho que filho). Na saída do Leporaci e a vinda dos acima mencionados o SHOW DE RÁDIO era apresentado no intervalo e ao final dos jogos. Posteriomente passou a ser apresentado logo após o encerramento das partidas. Quanto a Rádio Camanducaia, que a criou e projetou foi Odayr Baptista que a tem registrado em seu nome. Aliás, existe um site do Odayr Baptista – http://www.radiocamdanducaia.com.br -.
    O SHOW de RÁDIO tinha também a RÁDIO JOVEM JEGUE que transmitia de Icó-Ceará com “1 kilowate na ponta do bambu” como filosofava Odayr Baptista que igualmente era o apresentador desse quadro. Nele eram imitados os narradores da casa cognomidados de Zé Mistério (José Silvério) e Edemar Asnojegue (Edemar Annuseck).
    Esse relato também faz parte da história verdadeira do SHOW DE RÁDIO, no período em que trabalhei na Jovem Pan.
    Um abraço
    Edemar Annuseck

  2. Antunes Severo says:

    Valeu companheiro. É muito bom ter você por perto. Sem dúvida trata-se de um dos mais importantes programs de humor do rádio esportivo brasileiro.

  3. Alexandre Oliveira says:

    Esse programa fez parte da minha infância, lembro com muita saudade desses dias em que ouvia o show de rádio… Existe algum site no qual eu possa ouvir o arqivo da “rádio jovem jegue”? Obrigado e parabéns pelo site!

  4. Fábio Luiz da Cunha says:

    Inesquecíveis as grandes rizadas com a novela “A lenda da galinha mamífera”.
    Alguém tem ela na íntegra para disponibilizar.
    Isso tem que ser divulgado. Era humor puro e do bom no mais tradicional estilo de rádio novela.

  5. Daniel Amaral says:

    Quem não lembra do show de rádio, com toda certeza, não viveu nos anos 70. Comédia do inicio ao fim….. saudades….

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