O fim do mundo e de uma grande rádio

Publicado em: 19/01/2009

O Ataque impiedoso de Israel à faixa de Gaza? O avião que caiu em um rio de Nova York com 155 pessoas e não matou ninguém? O boteco de Sevilha fundado em 1650 que só não é como a casa da gente porque é bem melhor? (*)

Em viagem pela Espanha, um pouco isolado do mundo real, quebro a cabeça sobre o assunto desta coluna.

Um e-mail do amigo Renato Yada resolve o impasse: acabou a Indie 103.1, FM de Los Angeles tida como a melhor do mundo por Escuta Aqui e um monte de gente importante. Este é o tema.
Já falei da Indie 103.1 umas 103.100 vezes. Indie sem ser xiita, comercial sem ser vendida.
Steve Jones, lendário guitarrista dos Sex Pistols, era a principal estrela. Apresentava um programa absolutamente caótico, tocando e falando o que bem entendesse na hora do almoço e no fim da tarde. Nos outros horários, nada de delírios alternativos, tipo bandas do interior do oeste do País de Gales ou dos confins do deserto australiano.

Como já escrevi, era indie mas não era suicida. Tinha uma lista de 40 ou 50 músicas “top” e com base nelas montava a programação. Doideiras mesmo, só tarde da noite, como o programa de música eletrônica dos dementes do Crystal Method, nas madrugadas de sexta.

Mais: a Indie 103.1 pertencia a uma rede de emissoras bastante estável, e tinha um acordo com a gigante de mídia Clear Channel para vender anúncios. Nem assim sobreviveu. O site informa que a rádio agora está só na internet. Escuto on-line enquanto escrevo. Toca uma música do Morrissey em que identifico o trecho “in the absence of human touch” (na ausência de contato humano). É preciso respeitar uma rádio que transmite algo assim. Seja pelo ar seja na web.

Longa vida à Indie 103.1, onde quer que esteja.

(*) Álvaro Pereira Júnior – [email protected] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm1901200913.htm

Colaborou: Elza Galdino

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