O finados daquele tempo

Publicado em: 11/11/2007

Dia 2 de novembro. Sexta-feira. Feriadão. Dia dos Mortos. Tristeza? Não. Hoje, acabou o luto, aquele luto de usar roupa preta. De usar na lapela a tirinha preta, sinal da homenagem ao ente querido que ia…
Por João Chamadoira

Acabou aquela coisa de estampar nas portas das casas aquela cortina (?) roxa com as extremidades laterais amarelas. Essa cortina, que sugeria algo tétrico, indicava: havia velório naquela casa. É… o velório era na casa. Lá dentro, o cheiro de café meio velho e dos lírios… Aquilo impregnava mais a casa do que a visão triste que tudo aquilo representava.
Nesse último dia 2 de novembro, como disse, que sexta feira. Fim de semana gostosamente prolongado. Praias, campo, restaurantes, viagens aéreas, terrestres… Finados? Não parecia.
Em Bauru, ficando em casa, para realmente descansar, fui sintonizar as emissoras de São Paulo… Por que daqui de Bauru não dava, a não ser a Rádio Unesp FM, da Universidade, que resiste à indústria cultural e apresenta excelentes programas musicais, literatura, ciência… Mas era o destino, naquele momento, transmitia-se um programa que não me cheirava amuito bem. Há gosto para tudo, afinal. Estava uma barulheira, aquelas de rock pesado… Era o programa Esse tal de Rockn’roll.
E me lembrei de que, muito tempo atrás, ligar o rádio em Dia de Finados era ouvir música que sugeria enterro, velório. Mas aquele velório de antigamente… Daqueles que , depois do enterro, ficava-se três meses sem ligar o rádio, três meses sem ir ao cinema, três meses sem ligar a TV.
No dia 2 de novembro, o rádio homenageava o dia dos mortos. Eram músicas que lembravam tudo de fúnebre. Não havia a Marcha Fúnebre de Chopin. Mas ouviam-se  os noturnos de Chopin. Todos. Música de Bach, aquelas tocadas em órgãos.
Bom até que poderia ter Villa-Lobos, Gerschwin. Eu até pensava havia morrido algum proprietário de muitas das emissoras de São Paulo. Só música triste.
Onde estavam,então, o programa do Walter Silva, o Picapau? E do Enzo Almeida Passos, Telefone pedindo bis? Parece que Deus havia decretado luto nas emissoras de rádio.
Tenho muitas lembranças do rádio de antigamente. Mas do rádio no Dia de Finados, não quero me lembrar, não. Mas não tem jeito mesmo. O sentimento fala mais forte.
Tempo e espaço curtos. Saudade muito longa.
 


{moscomment}

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *