O futuro chegou e está de passagem

Publicado em: 18/10/2009

O GPR – Grupo dos Profissionais de Rádio realizou recentemente um seminário sobre o rádio na internet. Os dados mais significativos podem ser acessados através do seguinte endereço – http://www.gpradio.com.br

O seminário constatou que o rádio via internet vem conquistando, cada vez mais, um público cativo significativo, mas as mídias alternativas despontam como grandes concorrentes, como podcasting, iPod e outras mais convencionais em mp3.

Se os parâmetros norte americanos, que sempre balizaram o desenvolvimento da mídia brasileira prevalecerem, em breve a internet poderá assumir a liderança na audiência de rádio. Nos Estados Unidos já são 69 milhões, segundo pesquisa apresentada nesse seminário.

Voltando a realidade brasileira atual as respostas dadas à pesquisa publicada no site do GPR e que balizaram o seminário apontam que 79% dos entrevistados ouvem rádio em casa; 64% no carro; 46% no trabalho; 26% na rua e 25% fazendo exercícios. Claro que as respostas são múltiplas. Um dado importante é que 74% ouvem pelos instrumentos convencionais, ou seja, um aparelho receptor e 64% pela internet, quase empatando com os ouvintes em carro, 61%.

Só não entendi direito a pergunta 4, “O que você busca nos canais de rádio na Internet”. 83% responderam que querem ouvir a programação de rádio que está no ar. Fiquei na dúvida entre meu desejo e a possibilidade de uma má formulação da questão. Todas as rádios que se ouve na Internet estão no ar, pelo menos na terminologia dos profissionais da área. Mas gostaria muito que esses 83% buscassem as rádios tradicionais, com suas programações mais elaboradas e ecléticas.

De qualquer forma há um problema fundamental contra a internet que é a sua falta de mobilidade (ainda). Você precisa de um computador, tela e alguma imobilização para ouvir ou procurar sua rádio, dispor de tecnologia sofisticada e mais cara para sintonizar com segurança e eficiência a rádio que procurou, enquanto que um pequeno receptor de rádio lhe obriga apenas a ligar um botão e trocar pilhas (em alguns casos).

Todas essas informações me remetem a algumas perguntas que quero colocar aqui. Afinal: o rádio em AM, FM, OC, OT como conhecemos tende a desaparecer com seu formato atual? Qual será o papel das rádios convencionais no futuro? O que o rádio convencional representa hoje para a população brasileira? Os departamentos de mídia das agências estão preparados para a complexidade das novas ofertas de espaço publicitário? Os anunciantes conhecem e utilizam as novas tecnologias como meio de divulgar seus produtos? As novas alternativas agradam os ouvintes ou não passa de uma tendência “modernosa” que tende a enfraquecer diante de novas possibilidades tecnológicas que surgem todos os dias? Ou se fortalecerá com essas alternativas? As escolas de comunicação conseguem atualizar seus alunos sobre todos esses recursos? Que estudo temos disponíveis sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade, sua importância, o número de pessoas que se utiliza delas e outras questões essenciais para que se possa compreender esse processo que não nos deixa respirar em razão de sua constante mutação.

As mesmas perguntas são feitas para a mídia impressa, sobretudo os jornais que, teoricamente estariam perdendo espaço para a internet ao ponto de virem a se tornar um refúgio dos saudosistas. E até as editoras de livros começam a ser assediadas pela nova tecnologia, exigindo uma nova postura comercial.

A Kindle americana, uma tecnologia de leitura digital, está lançando seus aparelhos em todo mundo, inclusive no Brasil. Tem capacidade para armazenar até 1.500 livros, pode acessar a internet e receber as edições das diversas revistas, hoje impressas.

Os analistas afirmam que o KINDLE é uma revolução na maneira de ler livros e para a educação nas escolas. Pode ser levada como um Pocket Book e permite acesso em qualquer lugar à leitura ou conversação via internet. Segundo esses analistas o iPhone não revolucionou nada. Mas o Kindle seria uma revolução mesmo. Uma alteração brusca e significativa na maneira das pessoas se relacionarem com sua leitura, resolvendo o desconforto de se ler um livro numa tela de computador, algo sempre desagradável e de mobilidade discutível.

Pela órbita do satélite (porque “o andar da carruagem” é incompreensível para a geração tecnológica), em breve os jornais serão vendidos em práticos e descartáveis “kindles”, oferecidos gratuitamente aos assinantes, mudando substancialmente o hábito de sentar-se na varanda, na confortável cadeira de balanço para folhear deliciosa e tranquilamente o velho e bom jornal impresso. Alguém ainda lembra-se do linotipo?

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