O homem do 4

Publicado em: 28/11/2013

Arnaldo estava endividado. Cheque especial, cartão de crédito, cunhado, lojas locais, etc. Morando em Curitiba era um apaixonado por corridas de cavalos; os amigos diziam que ele era viciado. Para completar sua dura fase o patrão o chama e começa aquela velha história de épocas difíceis, contenção de despesas e que, bem, Arnaldo estava demitido. No caminho de casa Arnaldo pensava em como dar à notícia a esposa e imaginava “pior não pode ficar”. Em casa a esposa depois de ouvi-lo, falou:

– Quero o divórcio!

– Mas Esmeralda você não pode me deixar agora, não nesse momento.

– Desculpe Arnaldo, não é de agora, não aguento mais essa sua maneira de viver, chega, acabou, foram 4 anos suportando suas burradas.

Arnaldo sozinho calcula suas contas, 40 mil reais. Decidido acabar com a própria vida abre uma gaveta e vê seu “três oitão”, abre a arma e vê que ela está com 4 balas. Pensa que está com muitas bobagens em sua cabeça e vê sua certidão de nascimento. Olha a data em que nasceu (nascera em 4 de abril de 1944) na mente de um jogador ele percebe que nasceu em 4 de 4 de 44. A mente funciona. Dívida de 40 mil. O número de sua casa é 40.

As 4 balas no revólver. A data de nascimento. Os 4 anos de casamento. Parecia uma luz. Ele põe a mão no bolso e vê que só tem 4 reais. Corre para a rua e vê um taxi; a placa VAI 4444. Arnaldo entra e apresenta-se. O taxista diz:

– Muito prazer, meu nome é Torquato – Arnaldo pede ao gentil motorista para ir até o local das corridas. Pensa que é um sinal, o 4 é seu número, o número da salvação. O taxista ouve a lamentável história de Arnaldo e também se convence de que ele ganhará o prêmio. Concorda em receber no final da corrida, a viagem até ali havia custado 40 reais. Torquato, empolgado com a história do 4 empresta 400 reais a Arnaldo.

Arnaldo não tem dúvidas. Aposta os 400 reais no cavalo número 4. A corrida começa. Arnaldo está nervoso, mas confiante. Todas aquelas ocorrências com o 4 não poderiam ser mera coincidência. Seu cavalo está em primeiro, de repente em segundo, é passado para trás e termina a corrida em 4º lugar. Arnaldo fica sem palavras. Volta para o taxi que o aguardava. O taxista parece confiante, mas ao olhar de perto o rosto de Arnaldo também fica sem palavras. Arnaldo pede desculpas. Diz que agora tem novas dívidas.

A corrida do seu Torquato, 40 reais e os 400 que havia tomado emprestado do nobre taxista. O taxista se vai. VAI 4444, é placa do taxi. Ele ainda tem 4 reais no bolso. Arnaldo sente o cheiro de cachorro-quente. Ele está com muita fome e pensa que pelo menos aqueles 4 reais servirão a algo de bom. Ele pergunta ao homem quanto custa o cachorro-quente. O vendedor sorri e diz:

– Custa 5 reais, amigo.

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