O imperador morreu jogando bola

Publicado em: 24/09/2012

Não estamos em priscas eras, nem no Brasil colônia, nada disso. Não se trata do céu, tampouco da Terra. É um 24 de setembro, mas não um dia qualquer. Viajamos para outra dimensão, onde é possível reunir várias épocas e personalidades, a maioria delas mortas, mas todas capazes de chutar uma bola e isso faz toda a diferença nessa ilustração. O encontro futebolístico foi organizado pela imaginação do autor. O desafio foi uma aposta entre Adolf Hitler e Getúlio Vargas. O ditador alemão disse que o Brasil jamais venceria uma seleção de estrelas mundiais. Vargas não respondeu à provocação, apenas riu. O líder do terceiro Reich insistiu e disse que nem no futebol o Brasil era imbatível. Getúlio teve uma ideia. “Já entendi. Monta tua equipe, eu monto a minha e vamos resolver isso então”.

Os capitães organizaram seus times para o confronto e o Brasil pôde sediar a pelada. O palco escolhido foi o Maracanã. Na terra, o estádio estava em obras, mas aqui tudo é possível. A seleção brasileira entrou em campo com Pelé (que jogou como goleiro pra dar jogo), Assis Chateaubriand, Ayrton Senna, D. Pedro I, Getúlio Vargas, Machado de Assis, Chacrinha, Chico Anysio, Roberto Carlos (o Rei), Lampião e Aleijadinho.

A seleção internacional era uma verdadeira constelação: Sócrates, Platão, Bob Marley, Gabriel García Marquez, Elvis Presley, Che Guevara, Osama Bin Laden, Hitler, Albert Einstein e Toulouse Lautrec era goleiro. Havia boatos espalhados no pré-jogo de que o anão foi escalado no gol como uma desculpa a possível derrota da seleção mundial. Hitler nega a história.

Cid Moreira narrou a partida

Boa noite, começa o jogo no Maracanã, Chico Anysio passa para Senna que parte em velocidade com a bola pelo lateral, ninguém alcança o brasileiro que só para nas redes. O Brasil está na frente do placar.

Aos 20 minutos, Albert Einstein pede que Platão lance a bola com a velocidade de 20m/s ao quadrado. Einstein passa para Hitler que se livra dos marcadores, toca para Bin Laden que manda um foguete para o fundo das redes. 1×1.

Getúlio Vargas está com a bola nos pés. Fominha, o ditador da bola não passa para ninguém. O estádio estava cheio de getulistas, ele queria exibir-se para a plateia. Era difícil furar a zaga de filósofos da seleção mundial. Elvis driblou Aleijadinho fácil e tomou uma canelada da perna direita de Roberto Carlos. O árbitro, Ray Charles, mandou o jogo seguir.

Machado de Assis e Chacrinha conversaram durante todo o jogo e nem tocaram na bola, Lampião não achava Maria Bonita na torcida e abandonou a partida. A seleção mundial estava vencendo a partida por 4×1 e, repentinamente, D. Pedro I queria a bola que estava com Getúlio. Autoritário, Vargas disse que ele era quem mandava. O imperador gritou: independência, ou morte! e caiu no campo, deixando os outros “atletas” preocupados.

Chamem o SAMU gritou Gabito, que também precisava de atendimento hospitalar. Era o único jogador vivo e seu coração estava aos pulos. A equipe de enfermeiros atendeu primeiramente ao imperador, que não dava sinais de vida, enquanto que Gabriel García Marquez estava recuperado. A partida foi cancelada e o churrasco que ocorreria na estância da família Vargas, com as presenças de Jango e Brizola de poncho e bombacha, também.

No dia seguinte, os jornais noticiavam a morte de D. Pedro I na histórica pelada do Maracanã. O Jornal do Commércio do Recife deu a seguinte manchete: Brasil perde jogo, imperador perde a vida. O Diário do Rio de Janeiro soltou uma notícia crua: morre D. Pedro I.

No mesmo dia, entretanto, os jornais mal sabiam da confusão criada. o Imperador levantou no velório e quis saber sobre o desfecho do clássico do Maracanã. A multidão secava as lágrimas e D. Pedro I teve a certeza de que eles sabiam pouco de história e nada sobre 24 de setembro.

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