O Jornalismo, Matéria de Primeira Página, de Luiz Amaral

Publicado em: 09/11/2008

Chovia muito naquele verão, em pleno mês de janeiro, quando eu, universitário sem dinheiro, entrei na velha e vetusta Livraria do Globo, na Rua da Praia, centro de Porto Alegre.
Do principal símbolo de uma era da literatura e do mercado editorial gaúcho, resta hoje o prédio histórico em que uma loja de calçados se instalou, empurrando livros e itens de papelaria para um cantinho. Da tarde chuvosa, estrategicamente colocada na metade do curso de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, há pouco mais de duas décadas, resta outra lembrança e, mais ainda, uma certeza.

Como permitiam umas duas ou três poltronas posicionadas no segundo piso da livraria, escolhi um livro já visto nas estantes da biblioteca da faculdade de comunicação. Fui folheando e acabei, contando os trocados, vendo se sobrava algo para o ônibus de volta para casa. Levei, assim, comigo o Técnica de Jornal e Periódico, de Luiz Amaral. Aquela leitura me daria a certeza de ter escolhido A – assim mesmo com maiúscula – profissão.

Na volta daquelas férias, devoraria, com o auxílio da biblioteca, outro livro de Amaral. Hoje, nesta primavera, surpreendido pela frente fria que trouxe chuvas algo inesperadas ao Sul, é a nova edição desta obra que encaro com o mesmo encantamento estudantil de décadas atrás. A sexta edição de Jornalismo, Matéria de Primeira Página, recém-lançada neste ano de 2008, vem revista e atualizada. Demonstra a constante renovação do autor, que no dia 11 de novembro entra na sua oitava década de vida, preparando-se para em 2009 completar, assim, seus 80 anos.

Jornalismo, Matéria de Primeira Página, em sua nova versão, lembra, para quem conhece o Amaral, uma conversa animada e amistosa como as que ele dedica a todos. Há a experiência da técnica associada a pequenas histórias coletadas aqui e acolá, vividas por eles ou por outros. Cada página transpira a enorme quantidade de referenciais de Luiz Amaral, dos seus autores favoritos às suas vivências.

Para nós, os nascidos na década de 60, a marca destas experiências vinha pelas ondas de várias emissoras de rádio a reproduzirem os boletins gerados pela Voz da América, do governo dos Estados Unidos: “De Washington, Luiz Amaral”. De fato, apenas etapa mais recente de uma carreira com passagem por várias redações no país e no exterior. Pois era este mesmo o objetivo do Luiz em seu primeiro livro: “Traduzir um pouco a experiência adquirida”, como me disse estes dias em um e-mail.

Nesta nova edição de Jornalismo, Matéria de Primeira Página, o texto segue claro e objetivo, sem, no entanto, subestimar a capacidade do leitor. Ah, e mantém uma atualidade impressionante: vai do jornalismo de sempre para o de hoje, o dos tempos da internet. Numa frase: Luiz Amaral é leitura obrigatória para quem se inicia na profissão, neste ano de 2008, como há quase duas décadas ou nos anos 60.

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