O longo processo de instalação da rádio digital no Brasil

Publicado em: 14/05/2009

O Brasil foi um dos pioneiros na radiodifusão no mundo. Em 1922, durante as comemorações do primeiro centenário da independência, acontecia a primeira transmissão radiofônica do país. Por Túlio Clemente de Andrade 

Quase noventa anos se passaram e como deveria ser, muita coisa mudou no processo de radiodifusão. Glorificada durante as primeiras décadas de funcionamento, a rádio perde cada vez mais força perante as demais mídias.Falhas de transmissão, chiados, impossibilidade de sintonia em determinados lugares e dificuldade de memorização das frequências são alguns dos problemas responsáveis por diminuir a cada ano, boa parte do investimento publicitário e a audiência do público.

Com a intenção de contornar esses problemas, em 2006, algumas emissoras iniciaram transmissões digitais em fase experimental. Esse processo significaria um grande salto tecnológico e o início do renascimento dessa mídia, porém três anos se passaram e poucos resultados foram obtidos desde então. 

A tecnologia da rádio digital promete transformar o som de FM em som de CD, e o som de AM em FM, além de oferecer outras vantagens. Esse processo garante uma melhor transmissão devido ao fato das ondas analógicas convencionais sofrerem influência de fatores externos, como a presença de prédios e nuvens carregadas. O sinal digital é capaz de romper essas barreiras, pois passa intacto por qualquer obstáculo.

Além da qualidade do som, esse processo pode ainda transmitir informações por escrito aos ouvintes, pois os aparelhos de rádio digital possuem tela de cristal líquido. Em outros países onde esse sistema já existe, há transmissão de dados sobre músicas tocadas, informações sobre trânsito, previsão do tempo e propagandas, todas na própria tela do aparelho. Essa tecnologia gera uma nova oferta de conteúdo nas programações das rádios, o que serve de estímulo para aumentar a demanda do público.

O projeto da rádio digital em instalação no país é mais um aperfeiçoamento do que um rompimento do atual sistema de radiodifusão aqui existente. Por enquanto, o modelo digital em implantação no Brasil é o americano, denominado IBOC. Esse modelo permite que as transmissões analógica e digital andem na mesma freqüência, sem necessidade da utilização de novos canais, significando que a troca dos aparelhos ocorra gradualmente. Além disso, a sua flexibilidade e o baixo investimento na aquisição conquistaram a confiança das emissoras brasileiras. Porém problemas como a interferência no sinal de transmissão e a redução da área de alcance trouxeram atrasos e adiamentos no processo de instalação definitiva da rádio digital no país.

Essa inovação no processo de radiodifusão no Brasil seria uma alternativa para resgatar o rádio do desinteresse público. O Brasil é o segundo país em números de aparelhos, porém os investimentos em publicidade e a audiência diminuem ano a ano, sobretudo nas rádios AM. Além disso, grande parte das emissoras se transformou em alto-falante de prefeituras e igrejas e perderam conteúdo de qualidade.

Cabe agora a continuidade do processo de criação dessa tecnologia para que o rádio volte ao seu lugar de destaque como meio de comunicação no país.

Fonte: Blog do Túlio
Colaborou Vera Lúcia Correia da Silva

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