O medo nosso de cada dia

Publicado em: 29/01/2014

É palpável a sensação de que violência entrou na alma de cada brasileiro e com ela convivemos como se fosse outro detalhe do cotidiano, algo como a posição no nosso clube na tabela do campeonato. O mesmo ocorreu como o medo, ele se incrustou no espírito, atingiu estágio tão dramático que achamos que cerca elétrica nos protege.

Como os números do horror não afetam a razão – a falta de reação forte leva a tal conclusão – nosso comportamento é de anestesiado em quarto de hospital. Citar aqui todos os dados é enfadonho, mas é definitivo dizer que o Brasil é o país com maior número absoluto de homicídios do mundo. Em números proporcionais também ocupa as primeiras posições segundo a Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública – ENASP, uma parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Ministério da J ustiça e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Organismos internacionais consideram que um país sofre violência endêmica a partir de 10 homicídios por 100 mil habitantes. No Brasil, a média é de 26 por 100 mil. Como se define isso? Em alguns estados, como Alagoas, o índice chega a estarrecedores 60 homicídios por 100 mil pessoas. Mais, das 50 cidades mais violentas do Planeta 15 estão sob “o lábaro que ostentas estrelado”.

Levantamos, almoçamos, jantamos e dormimos num clima de violência sem precedentes. Tipo “nunca antes neste país”. Os dados são tão horripilantes que alguns falam em 50 mil assassinatos em 2012, outros em 56 mil e nem nos bate a passarinha. Outro dia citei que nesse mesmo ano foram 56 mil estupros de mulheres, dado defasado se levarmos em consideração as circunstâncias que envolvem esse tipo de crime. Ponto intrigante: a Santa e Bela Catarina aparece em segundo lugar no numero de ocorrências.

Claro, a impunidade está na raiz disso, é causa relevante, sem duvida. Temos dado antigo, mas emblemático porque tudo só piorou nos últimos dez anos: dos quase 135 mil inquéritos que investigaram homicídios dolosos até o final de 2007, apenas 43 mil foram concluídos. Dos concluídos, pouco mais de 8 mil (19%) se transformaram em denúncias. O país manda para o arquivo mais de 80% desses inquéritos.

Nesse mesmo ano de 2012 foram computados mais de 130 mil registros de violência contra crianças em todo o País. Violências de todo o tipo. Apenas no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, a ecológica capital do Estado do Paraná, chegaram para receber atendimento médico 227 crianças vitimas de abuso sexual.

O transito, em 2012, levou à sepultura 45 mil brasileiros, mais mortos do que na guerra civil na Síria, em igual período, obrigando a ONU a berrar. Diga-se que algo se tenta fazer, mas os resultados serão pífios enquanto o automóvel for manuseado como. Esse mesmo fenômeno assustou os alemães na década de 1970 e as autoridades foram fundo numa campanha para mexer com a cabeça dos motoristas.

Vou citar apenas mais um numero, pois nada mais nos afeta: no ano de 2012 um total de 556 mil ocorrências de roubos a residências, roubo de veículos, roubos a casas comerciais e a banco foram registradas nos órgãos de segurança. E os outros crimes?

Chegou a hora da pergunta: em termos de segurança pública o que ocorre no Brasil governado pelas “esquerdas” há mais de vinte anos? Cartas para a redação! O item segurança – assim como outros de igual valor – nunca esteve entre as prioridades das “esquerdas”. Tida como preocupação burguesa a segurança se resumia em prender ou matar oposicionistas, com o que não surpreende o clima de caos que se aprofunda, gerando um monstro que vai produzir muito mais sofrimento e sangue.

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