O nascimento da televisão do Paraná – 22

Publicado em: 07/09/2009
Novos estudios permitiam mais amplitude para os cenários

Novos estudios permitiam mais amplitude para os cenários

Muitos locais foram vistoriados, mas nenhum apresentava condições de uso ou adaptação. Encontrávamos muitos terrenos, todos bem localizados, tanto que passamos a optar por essa nova solução, isto é, a aquisição de um terreno onde pudessem ser construídos os estúdios dos nossos sonhos.

Então, ficamos sabendo que iria desocupar um grande barracão, exatamente nos fundos do prédio das emissoras de rádio do doutor Nagibe, onde também ficam os escritórios dele, sendo preciso abrir apenas uma passagem para a comunicação entre ambos.

A descoberta foi festejada pelo doutor Nagibe. Era um barracão enorme, situado na Rua Emiliano Perneta nº 188, que servira como depósito de uma empresa de óleos lubrificantes. O imóvel contava com excelente pé direito e localiza-se na parte central da cidade, próximo de onde estavam instalados os transmissores. Acomodaria todo o necessário para uma boa sede de emissora de TV e ainda dispunha de amplo estacionamento, o que já começava a rarear em Curitiba. Enfim, tinha as condições ideais.

Contatado proprietário, foi acertada a locação do imóvel, devendo-se aguardar apenas um ou dois meses, para que o local fosse totalmente desocupado. Cuidou-se, então, da elaboração do projeto e iniciadas as adaptações. Só que durante as reformas defrontamo-nos com um sério problema. Como fazer as ligações dos novos estúdios com o transmissor que continuaria instalado no topo do Edifício Tijucas? O problema inexistia quando estúdio e transmissor ficavam no mesmo local.

Após algum estudo, Jorge Edo sugeriu que se fizesse ligação por intermédio de um cabo coaxial. Desse modo, foi encomendada junto a Pirelli do Brasil a produção desse cabo especial, capaz de conduzir a imagem ao transmissor. A instalação, no entanto, deveria cumprir um sinuoso percurso. Como a região central de Curitiba já estava com alguns dutos subterrâneos, esses conduziriam os cabos. Eles sairiam do estúdio, na Emiliano Perneta, atingindo a Travessa Jesuíno Marcondes, onde ficava a sede da companhia telefônica. Dalí contornaríamos a Praça Osório até chegar à Rua Cândido Lopes, onde ficava uma das entradas do Edifício Tijucas.

Enquanto isso continuávamos desenvolvendo as nossas atividades e tentando melhorar o que fosse possível até a mudança. Nessa época conseguimos a primeira lente zoom, da marca Pansinor, cujo uso, apesar de ainda limitado, minimizou as dificuldades de movimentação, auxiliando nas aproximações quando o acesso fosse difícil.

Onde estávamos o rol de inconvenientes era enorme. O material para os cenários somente podia ser transportado pelas escadas, subindo ou descendo vinte andares. Peças de grande porte precisavam ser içadas por fora do edifício. Os produtos para os comerciais ao vivo eram conduzidos pelos elevadores, mas estes tinham limitada capacidade e atendiam não apenas a televisão, mas uma quantidade enorme de moradores, causando transtornos e freqüentes reclamações.

Outro inconveniente era quando aconteciam interrupções temporárias no fornecimento de luz, quase sempre em horários próximos ao início das nossas atividades, obrigando-nos a escalar as escadas de mais de 380 degraus, quando não ficávamos presos nos elevadores até o restabelecimento da energia.

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