O nascimento da televisão do Paraná – 29

Publicado em: 26/10/2009

Resolvida a questão da potência d transmissão, com a conseqüente melhora da qualidade da imagem e expansão do sinal, nossa atenção voltou-se para a conquista do videoteipe, com o qual diminuiria consideravelmente a nossa defasagem técnica em relação a centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Até porque, difícil era sustentar, já naquela época, uma programação somente com filmes e programas ao vivo.

Além disso, anunciantes de São Paulo e Rio de Janeiro começavam a produzir comerciais em teipe, e esses não teriam condições de ser exibidos nas TVs de Curitiba, a não ser que fossem submetidos ao processo de kinescopagem, ou seja, com a transformação do VT em filme, que somente a TV Gazeta de São Paulo possuía. Foi esse recurso, aliás, que possibilitou aos curitibanos assistirem as Olimpíadas de Tókio. Além de gravadas em VT, as imagens já apresentaram efeitos da nova tecnologia japonesa que viria a conquistar (e encantar) o mundo.

A primeira cópia bruta das transmissões foi recebida pela TV Paranaense. Depois de kinoscopadas, foi-nos confiada a tarefa de realizar a limpeza do material, isto é, a montagem, eliminando-se os excessos, e realizando a edição final. Dessa forma, Curitiba foi uma das primeiras praças a exibir aquele espetáculo esportivo, que, posteriormente, às demais tele emissoras que ainda não dispunham de VT.

No Sul, o videoteipe já estava em funcionamento na TV Piratini de Porto Alegre, da rede Associada e terceira Capital do Brasil a contar com o poderoso aparelho, logo depois de São Paulo e Rio de Janeiro. A TV Paranaense também já o havia encomendado, mas a entrega ficou sujeita à produção da Ampex, único fabricante no mundo, não existindo produto similar. Diante disso, todas as emissoras de TV teriam, obrigatoriamente, que recorrer à Ampex e a alta demanda dificultava a entrega.

A propósito, merece ser registrado que, quando se tratava de equipamentos, dificilmente havia qualquer relutância por parte do Doutor Nagibe, que tinha profundo fascínio pelas novidades tecnológicas.

A expectativa era imensa, quase insuportável, principalmente porque as grandes produções nacionais eram, então, todas realizadas com o uso do videoteipe.

Numa quinta-feira a tarde fomos informados de que o equipamento encomendado finalmente chegara ao Brasil e estava retido no aeroporto do Galeão, no Rio, entre as mercadorias irregulares, e não poderia seguir para São Paulo, seu destino onde seria liberado. A situação gerou a maior aflição, pois a TV Paraná, nossa concorrente, também estava para receber o seu equipamento, e quem saísse na dianteira levaria vantagem em termos de audiência. Ademais, o Dr. Nagibe já se acostumara à fama de pioneiro e não admitia perder a corrida dessa vez.

Como eu tinha, então, um carnê para aquisição de passagens aéreas, para uso nas eventuais emergências, mandei emitir, imediatamente, duas passagens, n vôo do dia seguinte para o Rio de Janeiro. Uma para o Dr. Nagibe e outra para mim. Por sua vez, o Dr. Nagibe, que fora Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, tinha boas amizades, telefonou sem demora para o Ministério da Fazenda, com o propósito de cientificar o Ministro do ocorrido e garantir-lhe que o equipamento estava sendo importado legalmente e com documentação absolutamente em ordem, sendo absurda e despropositada a apreensão. Solicitou, inclusive, uma audiência para fazer, pessoalmente, a comprovação. O ministro respondeu-lhe que mandaria verificar o que estava acontecendo e o aguardaria na manhã do dia seguinte.

Era uma sexta-feira. Embarcamos no primeiro vôo de Curitiba para o Rio, e do Aeroporto Santos Dumont fomos direto ao ministério, onde Nagibe Chede foi prontamente atendido. Ali, soubemos que, de fato, tudo não passara de um equívoco e que o equipamento estava em condições de continuar viagem até São Paulo, onde seria desembarcado. Mas, para tanto, deveríamos ir ao Aeroporto do Galeão e falar com o responsável pela alfândega para as providências de reembarque.

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