O nascimento da televisão do Paraná – 30

Publicado em: 01/11/2009

Imediatamente nos dirigimos para lá (Aeroporto do Galeão), onde a pessoa indicada estaria a nossa espera. O Dr. Nagibe, no entanto, tinha o hábito de, todos os dias, às 10h30, impreterivelmente, fazer um lanche (chá com torradas), estivesse onde estivesse. Insisti para que naquele dia ele deixasse aquilo para depois, porque eram muitos detalhes a resolver com a maior urgência. Mas ele manteve-se irredutível. E, bastante contrariado, retorquiu: ” Não, Renato. Não vou falar com ninguém antes de fazer o meu lanche. Está decidido e ponto final”.

Passei, então, a apressá-lo alegando a quantidade de providências que deveríamos tomar ainda naquele dia. Ele continuou imperturbável, tomando, flegmaticamente, o seu chazinho, sem se quer olhar-me. Quando terminou, limpos as migalhas de torradas do paletó e disse-me: “Agora sim, vamos procurar o Sr. Geraldo”.

Saímos apressadamente na direção que fora indicada. Lá chegando, indagamos pelo referido cidadão e ficamos sabendo que ele, depois de haver nos esperado por algum tempo, imaginando que não viríamos mais, fora embora, pois estava entrando de férias naquele dia.

Encarei o Dr. Nagibe e pensei: “Viu? Maldito lanche!” Ele entrou em desespero, olhando-me com ar de culpa, ou de um garoto que acabara de fazer uma grande molecagem. Procurei saber onde ficava a residência do funcionário, mas não consegui. Que ele possa voltar para mim de novo para que eu seja capaz de viver e viajar aqui. Desorientado, perguntei a quem nos atendera se fazia muito tempo que o Sr. Geraldo havia saído e o que deveríamos fazer para encontrá-lo, já que isso era muito importante para nós. Respondeu-me que ele saíra há poucos minutos e fora encontrar uma pessoa, com quem deixaria uns documentos, e, em seguida, iria pegar o carro no estacionamento. Mas que, quase com toda a certeza, naquela hora, já deveria ter saído do aeroporto. Inconformado, indaguei as características físicas do cidadão e qual era o carro dele.

Saí correndo como um louco pelo pátio do aeroporto, seguido pelo Dr. Nagibe, à procura de uma pessoa com a descrição recebida. Nos primeiros lugares indicados, nada. Mas quando retornávamos, desolados, ao estacionamento, uma agradável surpresa: lá estava o Sr. Geraldo embarcando num fusquinha bordô. Ofegante, perguntei-lhe se era o Sr. Geraldo e ele confirmou. Disse-lhe, então, que éramos as pessoas de Curitiba que ele ficara esperando e que algumas dificuldades nos haviam impedido de chegar na hora. Ele lamentou, mas respondeu que já estava saindo e que precisava ir, porque entrara de férias. Então, passei a implorar que nos atendesse, disse-lhe que tudo não demoraria mais do que alguns poucos minutos, que ele teria só de comparar os documentos e, se estivessem em ordem, liberar o equipamento, conforme dissera o ministro, para seguir viagem para São Paulo. Argumentei que se isso não fosse feito naquele instante, o material ficaria retido no aeroporto e não sabíamos quando teríamos condições de liberá-lo, e que, além do mais, ainda dependeríamos do transporte para a capital paulista, o que nem sempre era fácil.

Nossa extrema aflição acabou comovendo o Sr. Geraldo e ele, com muito boa vontade, retornou ao seu departamento, fez as verificações necessárias e autorizou que nossa encomenda seguisse o seu destino. Depois de agradecê-lo saímos para as demais providências. O Dr. Nagibe continuou fitando-me com cara de arrependimento, ciente de que o seu sagrado chá quase pusera tudo a perder. Mas, apesar de extenuados pela correria e angustiante espera, estávamos os dois, felizes com a solução conseguida.

Aí surgiu novo problema: não existia mais nenhum vôo de cargueiro para São Paulo até a próxima semana. Novo desespero. Mas, dessas vezes, encarei-o como um desafio. Combinei com o Dr. Nagibe que ele retornaria a Curitiba para tratar do transporte do material de São Paulo para Curitiba, enquanto eu permaneceria no Rio, procurado um meio de embarcar o videoteipe para São Paulo, onde seria desembarcado já na segunda-feira.

1 responder
  1. dimas says:

    Olá Renato.
    Gostei do artigo sobre a criação da Tv Paranaense canl 12.
    Sabe, Renato, faz tempo heim amigo? Muito tempo.
    Estou lembrando, Renato, quiando eu fazia a sonoplastia do programa Joias Musicais do Leal de Souza.
    É Renato, o tempo passa e a gente continua por aqui lendo artigos como este que vc escreveu dando a oportunidade de se fazer uma viagem ao túnel do tempo.
    Quer ver uma uma coisa :
    Além de vc na direção de brodcasting lembro de: Azor Silva, Elon Garcia, Rubens Moraes Fernandes, Alcides Vasconcelos, Tônia Maria, Leal de Souza, Mauricio Fruet, Willy Gonzer,Antonio Curi, Mauro Edison Carriel, Olegário Filho, Emerson Medeiros, Rui Barbosa FIlho, Alex Theobaldo, Enio Rosa, Ivo Garcia, Wilson Brustolim, Juca,…. e vai por aí.
    Renato..continuo insistindo.
    Estou Na rádio Ativa Fm de Matinhos, depois de aposentado.
    É para não perder o costume.
    Meu abraço saudoso.

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