O nascimento da televisão do Paraná – 31

Publicado em: 08/11/2009

Tomei as medidas das caixas que armazenavam os aparelhos e saí pelo aeroporto medindo os bagageiros dos aviões para identificar qual deles e que companhia poderia transportá-lo com mais facilidade. Concluí que o equipamento caberia no bagageiro de uma aeronave comercial, que na época era o Convair 440, da Real Aerovias. Mas sou que naquele dia não haveria mais nenhum vôo para São Paulo.

Depois de nova correia pelos guichês de todas as companhias aéreas em operação no Galeão, descobri que a Real teria um vôo saindo de Belo Horizonte direto para São Paulo. Como possuíamos bom transito na real, que era nossa cliente, solicitei que esse vôo fizesse uma escala no Rio para embarcar nossa carga e levá-la até São Paulo. Claro que a resposta foi um sonoro não. Mas não me dei por vencido. Meio desesperado, permaneci ali à procura de outra solução, falando com todo o mundo que parece ter alguma condição de ajudar-me. Aos poucos, talvez pela minha expressão de súplica, fui conquistando a simpatia de alguns funcionários da Real. Num determinado momento, uma das pessoas que ouvira as minhas lamúrias disse-me:
– parece que o seu santo é forte. Um vôo que deveria fazer escala em Belo Horizonte, com destino ao Rio, poderá ser cancelado e, se isso acontecer, o vôo que sairá de Belo Horizonte para São Paulo deverá fazer uma escala aqui no Galeão para atender os passageiros dessa conexão.

Em seguida, fui informado de que aquilo realmente aconteceria. E que eu deveria fazer chegar o nosso equipamento ao local de embarque. Profundamente agradecido, saí em nova maratona, já quase sem forças de permanecer em pé. Felizmente consegui encontrar algumas pessoas de boa vontade que me ajudaram a encaminhar o equipamento para embarque.

No início da noite, a aeronave pousou e eu embarquei no jipe da Real que tracionava pelo pátio de estacionamento das aeronaves o reboque das bagagens, entre as quais estava a nossa preciosidade. Acompanhei-a de perto, até que ela fosse colocada no bagageiro e decolasse rumo a São Paulo.

Morto de cansado, mas feliz por haver conseguido completar com êxito a minha missão e eternamente grato a todos que entenderam o meu suplício, deixei o pátio do aeroporto e me dirigi ao saguão, para saber de alguma possibilidade de embarcar ainda naquela noite. Consegui pegar o último vôo Rio – Curitiba, dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul.

Logo que cheguei a Curitiba, pedi a emissão de outras duas passagens para o primeiro vôo de segunda-feira para São Paulo, Aeroporto de Congonhas, onde nosso equipamento já deveria estar à nossa espera. Aquele foi um dos finais de semana inesquecíveis para mim.

Na segunda-feira, eu e o Dr. Nagibe chegamos a São Paulo no primeiro vôo saído de Curitiba. Enquanto ele, acompanhado do Wilson Thomaz e do despachante, cuidava dos trâmites para a liberação da carga, eu voltei ao Rio de Janeiro, para localizar o técnico da Ampex, que fabricara o equipamento, a fim de levá-lo, o mais urgente possível, a Curitiba, para as providências de instalação.

Por seu turno, já com o videoteipe liberado, o Dr. Nagibe embarcou para Curitiba, na caminhonete Kombi de reportagem da Rádio Emissora Paranaense, acompanhando pessoalmente, numa viagem inesquecível, o sonhado material.

Dois dias depois começou a instalação. Enquanto isso, em São Paulo, em companhia do Wilson Tomaz, eu passei uns dias nos estúdios da TV Excelsior, qual a qual já firmáramos convênio operacional, para tomar ciência do que seria necessário para o funcionamento do videoteipe, como a aquisição de fitas de duas polegadas e de cabeças sobressalentes. Como Ilson, escolhemos também o programa de estréia e outros que completariam a série de especiais, além de definirmos aqueles que viriam a compor a grade definitiva da emissora.

Com a maior satisfação, voltamos a Curitiba sobrecarregados com os dez primeiros pesados rolos de fitas quadruplex, que logo passariam a compor a nossa rotina diária de trabalho.

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