O nascimento da televisão do Paraná – 6

Publicado em: 18/05/2009

Iniciamos um treinamento mais intensivo do conjunto dos profissionais que comporiam os diversos setores da emissora, ao mesmo tempo em que continuávamos exibindo filmes, à espera da chegada das peças faltantes do transmissor.

A estrutura do pessoal começava a ser definida. Romualdo Ousaluk, elemento de grande capacidade criatividade um competente e inesquecível companheiro, com quem formei dobradinha no rádio, realizando grandes programas, assumiu a direção artística da emissora. Durante o horário comercial, ele exercia as funções de gerente de banco, dedicando-se à televisão somente no período noturno. Por isso, eu partilhava com ele as funções na direção artística.

O novo transmissor foi, finalmente, completado, embora a sua potência não fosse das maiores. No entanto, as transmissões agora já podiam ser feitas e assistidas com som e imagem, na frequência definitiva do canal 12, em qualquer ponto da cidade.

A torre de transmissão foi instalada sobre a casa das máquinas dos elevadores, acima do espaço que estávamos utilizando como estúdio, o que também exigiu outro bom tempo de ajustes. Aliás, essa torre deu o que falar, pois, como o primeiro transmissor possuía baixa potência, alguém sempre oferecia um novo modelo milagroso de antena, que multiplicaria a potência existente e, assim, por várias vezes ela acabou sendo trocada, tendo permanecido em atividade por mais tempo uma no formato de borboleta. Mas também aquela não era própria para o sistema de broadcasting e sim de comunicação. Por suas características, ela beneficiava quem estivesse na direção de seus fachos de transmissão.

De todo o modo, o sucesso das transmissões regulares em caráter experimental agitava a cidade e começaram a despertar a atenção e o interesse do comércio de eletrodomésticos, que sentiu a seriedade e irreversibilidade do processo em desenvolvimento. As principais lojas começaram a se preparar para a venda de televisores, que teriam um mercado altamente promissor. Isso também exigiu a formação qualificada de vendedores.

Com a gradual introdução dos televisores no comércio surgiu, ainda a necessidade de mão-de-obra especializada para os ajustes e consertos. Quer dizer, a televisão passou a causar grande fascínio em diversos setores.

No alto do Edifício Tijucas, o trabalho ia de vento em poupa. Depois do treinamento da equipe técnica, era preciso que os envolvidos no processo se familiarizassem com a parte comercial. Essa exigência levou-nos à procura de criadores e produtores de programas, sem os quais nada poderia ser feito. Era igualmente uma atividade nova, sem antecedentes. Precisávamos, pois, encontrar pessoas que reunissem condições para tanto e esse era realmente um grande problema. A atividade que mais se aproximava de nossas necessidades era a dos diretores de teatro.

Nessa ocasião, Nagibe Chede conheceu, numa reunião social, um casal de irmãos de São Paulo, que se encontrava em Curitiba a serviço. Contou-lhes que começava a operação, em caráter experimental, de uma emissora de televisão e soube que ambos já haviam participado dessa atividade na capital paulista. Eles também manifestaram a intenção de participar da “aventura” paranaense.

Como na época o Dr. Nagibe se dedicava mais ao atendimento dos aspectos legais do projeto, falou-me da intenção dos jovens e pediu-me para que os recebesse. Foi dessa maneira que conheci Luiz Antônio de Freitas Francfort e sua irmã Alzira Francfort, que, por acaso, eram exatamente os profissionais que precisávamos e dos quais me tornei grande amigo.

Com a ajuda de Luiz Antônio e de Alzira, começamos a produzir e apresentar alguns musicais, pequenas histórias e sketchs humorísticos, que eram criados, produzidos e dirigidos por eles, e nos quais tive participação constante, até mesmo como humorista, contracenando com Ivone Tod (Deshandt), que viria a ser a primeira atriz da fase experimental da televisão do Paraná.

Diversas produções de Romualdo Ousaluk foram igualmente executadas. Graças a dedicação do Luiz e da Alzira ganhamos condições para agrupar o treinamento de toda a equipe em formação nos diversos setores, ganhando tempo e mobilidade. E assim, mesmo ainda em fase experimental, já éramos capazes de apresentar uma seqüência de programas de muito bom nível, com o reconhecimento geral.

Romualdo Ousaluk definiu, então, uma programação básica, composta de programas esportivos, apresentados por Maurício Fruet e Willy Gonzer; boletins noticiosos, narrados por Alcides Vasconcellos, pequenos musicais e programas de entrevistas, onde se destacariam Elon Garcia, Morais Fernandes, Moacyr Gouveia e Patrícia Fabiani. A grade era completada por filmes, cedidos, via de regra, por organismos governamentais norte-americanos.

Aí a velha dificuldade da limitação do espaço voltou à tona. E a realidade falou mais alto: naquele local em que estávamos instalados era absolutamente impossível desenvolver um trabalho contínuo, satisfatório e profissional. Sabíamos que seríamos obrigados a apresentar, basicamente, comerciais ao vivo e, para tal, diversos sets deveriam ser montados, exigindo muito mais espaço do que ali dispúnhamos. O fato seria confirmado em pesquisa junto às emissoras que já estavam funcionando no Brasil.

Do livro Ao Vivo e Sem Cores, de Renato Mazânek.

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