O nascimento da televisão do Paraná – 7

Publicado em: 25/05/2009

Como o edifício Tijucas tivesse sido concluído há pouco tempo, dispunha ainda de muito espaço vago. O doutor Nagibe Chede adquiriu, então, outros cinco conjuntos no 20º andar, bem abaixo de onde nos encontrávamos, e que deveriam ser suficientes para podermos operar em definitivo. 

Os serviços de adaptação foram imediatos. Três deles foram transformados em estúdios, apesar de o pé direito ter apenas cerca de três metros, fornecendo um espaço bem superior ao anterior. Os demais conjuntos ofereceram espaço para o switch, controle de vídeo, projeção, cabine de locução, área técnica, assim como para a montagem dos camarins, das salas de administração, de arte e de contra-regra. Com as mudanças dos equipamentos, a cenografia ocupou o andar superior, onde permaneceram também o transmissor e o departamento técnico.

Após a conclusão dos novos estúdios e do treinamento do pessoal, restava apenas conseguir a autorização oficial para o funcionamento da emissora. Chede tinha como amigo Moysés Lupion, que era o governador do estado, achou que estava na hora de pedir a ajuda dele.

Graças à interferência palaciana, foi marcada uma audiência no Palácio do Catete, no Rio, onde o doutor Nagibe foi recebido pessoalmente por Juscelino Kubitschek de Oliveira, então presidente da República, e ali foi, finalmente, assinada a autorização para o funcionamento da TV Paranaense, Canal 12, de Curitiba, a primeira emissora de tevê do Paraná e do sul do Brasil.

Claudete Rufino estrelou o primeiro programa da fase definitiva da TV Paranaense, onde permaneceu por longo tmpo em atividade

Claudete Rufino estrelou o primeiro programa da fase definitiva da TV Paranaense, onde permaneceu por longo tmpo em atividade

Agora, nada mais impedia a concretização do grande sonho de Nagibe Chede e o coroamento de sua persistência. Mesmo sendo ainda necessária a complementação da documentação e de alguns detalhes de instalação, foi preparada a montagem de uma programação básica, para que, nos meses seguintes, pudéssemos concluir a fase experimental.

De minha parte, propus-me a fazer um estágio numa emissora de TV em São Paulo, pois, até então, fora apenas um autodidata, que adquirira conhecimentos na prática do dia-a-dia, em função da necessidade, e não tinha certeza se o que fazia era efetivamente o correto. Aceita a sugestão, foi-me dada a oportunidade de estagiar na TV Record, que era a emissora-capitã da segunda rede do Brasil, em parceria com a TV Rio, e com a qual mantínhamos convênio operacional.

Na Record encantei-me logo com as instalações, um deslumbramento, se comparadas com as que tínhamos aqui. Também o equipamento era muito superior ao que utilizávamos. Além disso, recebi dos dirigentes de todas as áreas a maior atenção. Fizeram uma avaliação dos meus conhecimentos e colocaram-se à minha disposição para ensinar o que fosse preciso.

Foi então que passeio por um enorme sufoco. N mesmo dia, colocaram-se no switch para tocar os ensaios, no período da tarde, de um pequeno teatro e de um musical, sob a supervisão dos diretores de TV que dirigiam os programas à noite. Mas, devo ter me saído bem, pois, segundo a avaliação desses diretores, eu nada mais teria que fazer ali. Disseram-me que eu estava devidamente apto para a função e que seria desnecessário prorrogar o estágio. E a apreensão foi substituída pela satisfação de ver compensada toda a dedicação. Procurei inteirar-me, em seguida, dos procedimentos da programação, do uso dos mapas comerciais, da reserva de espaços, da montagem do roteiro de programação comercial e dos demais aspectos da produção e da operação.

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