O nascimento da televisão no Paraná – 11

Publicado em: 22/06/2009

Emissora inaugurada e programação definida, problema passou a ser a falta de televisores na praça. Ter um aparelho, na época, não era coisa fácil. Como se tratava de um bem de custo além das posses da maioria das pessoas existia um número bastante limitado de televisores instalados em Curitiba.

Por essa razão, os felizardos faziam questão de convidar os amigos e vizinhos para juntos compartilharem do novo entretenimento, acomodando a casa, às vezes, até quatro ou cinco famílias. Assim surgiu a figura do televizinho. E o empenho cada vez maior de todos para adquirir o seu próprio televisor, que era, indiscutivelmente, a grande sensação do momento, além de promover um processo de maior abertura social entre os curitibanos que sempre foram excessivamente reservados. Não por falta de humildade, mas por timidez e por serem naturalmente retraídos.

Aliás, sobre essa condição, vale registrar que em Curitiba sempre foi preciso acontecer algo muito importante e de impacto para que as pessoas se comunicassem mais. Ainda hoje, mesmo residindo, vários anos, uns próximos dos outros, poucos são os vizinhos que se falam. Fatos como a suposta aparição de objetos não identificados nos céus de Curitiba, na década de 1950, e a nevada de 1975, causaram, por certo, uma maior confraternização, mas foi o nascimento da televisão, sem dúvida, que expandiu o relacionamento social do curitibano, provocando verdadeira mudança de hábitos.

Também a atividade comercial começou a se interessar pelo recém chegado veículo. E nesse ponto, pela amizade que tinha com o doutor Nagibe Chede e pela participação que tivera em todo o processo de implantação da televisão em Curitiba, as Lojas Tarobá, de Pedro Stier, foram o primeiro anunciante da TV local.

Os primeiros seriados já seriam igualmente exibidos com o patrocínio de grandes anunciante nacionais, sediados no Rio e em São Paulo. Uma das séries, por exemplo – Aventuras Submarinas, com Lloyd Bridgs – era patrocinada pelo Run Montilla, as quintas-feiras (20h30), enquanto que a reprise acontecia no domingo (15h), sob os auspícios da Vodka Orloff.

Para as apresentações de domingo, fez-se necessária a presença de um garoto-propaganda, pois não ficava bem, então, uma moça anunciar bebida alcoólica. Foi quando eu resolvi convidar o Jamur Júnior, que era locutor da Rádio Cultura. E apesar de no domingo o capítulo ser reprise de quinta-feira, a audiência manteve-se porque, como novidade, apresentávamos a presença do Jamur, em comerciais ao vivo, cheios de truques. Para se ter uma idéia, ele era colocado nas mais diversas situações, como montado numa garrafa de vodka, boiando dentro da garrafa, usando a garrafa como jangada, mergulhando com as garras nas costas à moda de tubos de oxigênio, montado na rolha e tantas outras “mágicas”.

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