O nascimento da televisão no Paraná – 17

Publicado em: 03/08/2009

Além das falhas operacionais, certos imprevistos também aconteciam.  Normalmente eram pequenos buracos na transmissão, causados pelo rompimento do filme em exibição, ou outra falha qualquer.  E o vazio precisava ser preenchido de alguma forma. Isso nos obrigava a colocar no ar, estático, o slide padrão da emissora.

Um dia, passando defronte de uma agência de passagens aéreas, vi na vitrine uma peça promocional cheia de traços e semicírculos que geravam uma interessante ilusão de ótica. Inspirei-me naquele objeto e desenvolvi um aparato motorizado, composto de uma arte fixa recortada e outra em movimento, que sugeriam um entrelaçamento de linhas, com o logotipo do Canal 12 ao centro.

Captada pelas câmeras, a engenhoca passou a ser usada sempre que surgisse uma lacuna de imagem ou necessidade de qualquer outra espera. Certas vezes, colocávamos a câmera focalizando círculos em movimento ou mesclando alguns dos loopings de filmes, para tornar a imagem mais agradável. Montamos também um caleidoscópio de grande porte para obter efeitos interessantes. Foi, portanto, um recurso muito usado e que, mais tarde, gerou outras soluções.

Um desses recursos, com efeito de espiral, foi usado na abertura do primeiro programa de prêmios, comandado por Israel Correia.

A deficiência de equipamentos exigia constante criatividade e muita agilidade de toda a equipe. Clemente Chen, quando teve a ousadia de realizar o primeiro teleteatro, precisava de uma externa num aeroporto e uma cena dentro de um avião. Não existia nenhum equipamento naquela época para gravar e muito menos transmitir ao vivo, como eram feitos os programas. A solução foi realizar as tomadas em filme, naturalmente só as imagens, sem nenhum som. Como a presença dos atores e os diálogos entrariam depois, o filme foi revelado no sistema positivo e apresentado algumas vezes para que os atores pudessem treinar a dublagem.

Na data prevista, a encenação foi para o ar ao vivo e inseridas as cenas filmadas, devidamente dubladas pelos atores na hora da apresentação. Tamanha foi a segurança do trabalho que a peça, pelo sucesso alcançado, foi reprisada e novamente dublada, na hora, sem nenhuma falha.

Outro recurso muito utilizado era o back projection, ou seja: reproduzíamos, em armação cenográfica, uma janela de trem, o pára-brisa ou a janela de um carro ou de um avião, a janela de uma casa, a tela de um televisor, uma cena de campo, de mata ou de fazenda, onde aconteceriam os diálogos dos atores, em primeiro plano. Ao fundo, projetávamos imagens, e a sensação era de que a cena estava passando nos locais projetados.

Ás vezes precisávamos produzir às pressas um cenário que não estava previsto e não havia tempo para realizá-lo da forma convencional, ou rapidamente preparar um comercial. Para atender a essas eventualidades, construímos dois painéis de cinco por dois metros e meio, uma estrutura de madeira forrada com tecido preto. Era o nosso grande quebra galhos.

Quando precisávamos de um fundo neutro, usávamos o painel, com a cena principal à frente. E para caso fazíamos a aplicação de diversos motivos de decoração. Assim, o fundo servia tanto para o programa de esportes, como para a mensagem religiosa do Padre Chico.

Aquele período inicial foi marcado por inúmeras peculiaridades, tanto propositais quando acidentais, pois não tínhamos receio de realizar projetos então considerados audaciosos.

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