O nascimento da televisão no Paraná – 26

Publicado em: 05/10/2009

Com o novo estúdio surgiu a esperança de um futuro melhor. O seu tamanho ofereceu-nos condições para a montagem de magníficos cenários, nos quais era possível aplicar efeitos especiais, como água em movimento, veículos em cena, escadarias, vários ambientes paralelos etc.

Começamos, assim, a realizar programas reunindo nomes famosos da música e do teleteatro nacionais. Eram grandes produções com bons patrocinadores, o que nos permitiu maior aprimoramento com maiores recursos.

Nesse estúdio foi realizada a primeira novela de televisão do Paraná, cem por cento ao vivo: Última Carícia, trabalho selecionado por Sinval Martins, que montou o elenco, composto por Maria Aparecida, Lala Schneider, Rubens Rollo, Cordeiro Júnior e Cícero Gomes. Sinval também participou do desenvolvimento e montagem dos cenários, foi o intérprete principal e dirigiu o espetáculo. A novela teve um total de 30 capítulos, apresentados as segundas, quartas e sextas-feiras. O patrocínio foi da metalúrgica Wallig, do Rio Grande do Sul, que então fabricava os melhores fogões do Brasil. E a novela foi utilizada para o lançamento na capital paranaense do fogão Wallig com acendimento automático.

As novas condições da emissora ocasionaram também a migração dos melhores profissionais do rádio para a televisão, o aparecimento de novos programas de sucesso e novas soluções. O programa entre nuvens e estrelas, por exemplo, que era produzido e apresentado pelos irmãos Átila e Ayrton Borges, fez furor ao colocar no estúdio um avião Paulistinha, completo, daqueles para o transporte de duas pessoas e que era utilizado nos cursos de pilotagem.
Apesar do tamanho do estúdio, ainda operávamos apenas com duas câmeras. Em função disso, era difícil realizar uma seqüência de tomadas rápidas em diversos planos, exigindo de todos, muita criatividade. O ideal seria o uso de três unidades.

Num dos programas da magnífica série Alma das Coisas, monologo criado e escrito por Romualdo Ousaluk, produzido e dirigido por mim, e com a sempre exemplar interpretação de Tônio Luna (Antônio Rodrigues Luna).

Aqui abro um parêntesis: Tônio Luna merece uma lembrança especial. Inteligente, culto, com sólida formação humanística, poliglota, dominando o inglês, o francês, o alemão, o italiano e o espanhol, ele era dotado de uma extraordinária memória fotográfica. Assim, além de ser capaz de memorizar um texto de uma lauda com uma única leitura, tinha a capacidade de dizer todo esse mesmo texto invertido, isto é, de trás para frente. Aliás, era costume dele chamar-me, em vez de Renato, Otaner.

Como eu estava dizendo, em uma das apresentações de Alma das Coisas, um padre, a certa altura da vida, sentia-se atormentado por determinadas situações, que lhe causavam enorme drama de consciência. Para dar dimensão ao programa, necessários se faziam rápidos movimentos de câmera o que seria impossível apenas com as duas disponíveis. Assim sendo, lancei mão de um conjunto de doze grandes espelhos, estrategicamente dependurados em volta do cenário. Com a habilidade dos operadores, com os quais sempre tive grande afinidade, a sensação foi de que estivéssemos trabalhando com seis câmeras. Um efeito que rendeu várias manifestações de espanto e aplauso, já que todo o mundo sabia que não possuíamos equipamento adequado para a realização de tal façanha.

Outras trucagens de grande dimensão foram realizadas durante aquele programa. Noutro episódio, um assassino começou a sofrer drama de consciência pelos males cometidos. Tudo o que ele tocava virava sangue. O monólogo se desenvolvia na varanda de uma casa, que, aos poucos, ia se desintegrando, até sumir por completo, deixando o personagem isolado, perdido no espaço. O resultado foi consagrador. E tudo era feito na hora, ao vivo, nessa que foi, sem dúvida, uma das melhores produções da TV Paranaense.

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