O nascimento da televisão no Paraná – 43

Publicado em: 06/02/2010

Quando estava no ar jantando com as Estrelas, durante o qual era servido sempre um bem preparado jantar, todas as luzes eram acesas com lâmpadas de 1.000 watts. Certa noite o Kar Maia iniciou uma entrevista com um cidadão que estava sentado na cabeceira da mesa. Conversavam sobre um assunto de difícil solução e o Kar Maia indagou do entrevistado: “Quer dizer que isso só será possível se cair do céu?”

Pois nesse exato momento estourou uma das lâmpadas bem em cima do entrevistado. O susto foi tamanho que ele caiu da cadeira e Maia fugiu do local à procura de proteção. Felizmente, tudo acabou em gargalhadas, inclusive dos telespectadores, claro.

Diariamente, às 18 horas, o padre Chico fazia, durante dez minutos, uma oração seguida de um conselho. Para as apresentações utilizávamos um painel neutro (preto) onde fazíamos apliques de adereços necessários em outros programas. Na hora do padre Chico não colocávamos nada, mantendo apenas o painel. Um dia, na direção de TV, notei que o padre levantou a mão direita sobre a cabeça e continuou falando. Dalí há pouco, subiu a mão esquerda e desceu a direita. Depois, ficou com os dois braços levantados. Em seguida voltou a permanecer com apenas um deles levantado. E assim por diante.

Como eu só podia ver a imagem que a câmera mostrava, diante da montagem de outros cenários que cobriam a janela para o estúdio, estranhei tudo aquilo. E pensei: “Esse padre ficou doido. Ele nunca fez esses gestos!” Intrigado, fui ao estúdio. Quando entrei, vi a real situação: o padre Chico alternava os movimentos com as mãos e os braços para proteger-se do painel que havia caído sobre sua cabeça e, por ser preto, não podia ser percebido através da imagem projetada no vídeo, dando a impressão de que ele simplesmente fazia movimentos sem nexo.

Como aconteciam, com relativa freqüência, interrupções na transmissão da imagem, ficando no ar só o som, usávamos um samba, gravado em jingle, que repetia: “Não desligue não. Estou fazendo o que posso pra consertar a televisão. Não desligue não”.
O seriado Zorro era patrocinado pelos chocolates Diziolli. Em acordo com o anunciante, fizemos uma promoção premiando os consumidores do produto. Todo final de mês era enorme o número de cartas recebidas, que formavam pilhas de até um metro e meio de altura. Não imaginávamos tanto sucesso, nem que o prêmio fosse causar tamanho transtorno para as famílias. A petizada aguardava com ansiedade pelo sorteio, enquanto os pais, que moravam em apartamentos, não sabiam o que iriam fazer com o prêmio, caso seu filho fosse o ganhador, já que o prêmio que sorteávamos todos os meses um cavalo pônei…

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