O Pacheco

Publicado em: 08/07/2007

Saio do escritório do amigo Aloysio Gentil Costa na companhia do idem Alfeu Abreu. Terceiro andar, descida; resolvemos usar as escadas. Chegamos ao vestíbulo; Edifício Alpha Centauri. Um dia ainda vou entender, ou talvez não, essa nossa mania de botar nomes grandiosos em feias pilhas de tijolos.
Por Augusto da Paz (*)

Também chamada Rigil Kentaurus, Alpha Centauri, na verdade, é um conjunto de três estrelas (uma delas a quarta mais brilhante no céu noturno; mais até que Arcturus), a olho nu vistas como uma só. Bom, também é o nome de um velho prédio caixotoso e tijoloso na Avenida Hercílio Luz, esquina com Fernando Machado, e o que é que nós temos com isso?
Conheci, em Salvador, um pardieiro de não lembro quantos blocos e andares, denominado “Queen Elizabeth the Second”, assim, tudo por extenso – e não morri. Em Copacabana, morei numa cabeça-de-porco nomeada “Château de Rambouillet”.
Ora, aí está.
Importante esclarecer que desci as escadas de braço com o Alfeu – é que eu já havia trocado os óculos de perto, usados na nossa reunião com o Aloysio, pelos de longe, usáveis na rua, condição na qual degraus fazem-se um flerte com o perigo. Ademais, a mulher do Alfeu, Nara, sabe que somos apenas bons amigos, e não se incomodaria. Pois chegamos ao vestíbulo, também chamado “hall” (nunca entendi por quê) e o Alfeu cumprimenta, efusivo, o Pacheco. Ora, o Pacheco! Soco-o; encho-o de tapas nas costas. Há quanto tempo eu não via o Pacheco!
Da última vez que o vira, ele estava, se não me falha a memória, de cabeça raspada, e agora ostentava bela cabeleira, que elogiei: “Pacheco, que cabelinho bonitinho!” e, com a maldade que a intimidade autoriza (?), acrescentei “Só de Araldite aí deve ter uma fortuna!”. Ele riu. Grande Pacheco. Conversamos mais um pouco, as amenidades costumeiras, que tens feito, lembranças em casa; despedimo-nos com o meu tradicional “precisas beber menos, homem!”. Ele riu.
Ao chegarmos à porta, Alfeu me informa “Olha, esse aí não era o Walter Pacheco, não – era outro Pacheco. Tens certeza de que o conheces?”. Conheço dois Pachecos – o Walter e o Darcy. Em não sendo um, ou o outro, nunca vi mais gordo.  Mas, enfim, o cabelo estava, de fato, bonitinho. E, por decência, deveria haver uma lei proibindo a utilização de nomes estrangeiros em edifícios – tremendo mico.
N.R. Que teima em se assinar Augusto da Paz, Na. Sra. do Desterro, 08/07/07.

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