O poder

Publicado em: 06/06/2012

Tenho um amigo que sempre fala das transformações que o poder opera nas pessoas. E exemplos não faltam para lhe dar razão. As oposições, em qualquer canto do mundo, renegam os princípios, embora não admitam isso, quando chegam ao topo. O caso do Brasil, com o PT, é apenas um entre tantos. O PMDB é hors concours, porque pastou duas décadas em outra trincheira, apanhando dos milicos, e quando investiu-se de cargos decisórios todos viram no que deu. Em Santa Catarina, depois que as oligarquias sofreram o primeiro tombo, em 1986, foi uma corrida de malucos. Os antigos nomes da resistência se perderam, e os escândalos pipocaram, um atrás do outro. De 1995 para cá, sobretudo, ninguém se salvou…

Conheço gente que ansiava ascender ao poder para, segundo seu discurso, varrer a velharia, transformar o status quo, incinerar práticas pouco afinadas com a modernidade. E o que aconteceu? Uma vez nomeados, com salário de comissionados, essas figuras mostram o que de fato são, às vezes o mau caratismo, a pusilanimidade, a inconsistência de argumentos, a fraqueza que aparece quando, precisando sobreviver, vendem a alma ao primeiro mecenas que aparece.

Investidos de funções públicas, essas pessoas oscilam entre o condescendente e o ditatorial, entre a cooptação e as maquinações de bastidores. Porque é sempre bom ter os detratores por perto, para saber de seus limites, e desarmar os potenciais inimigos, que são teimosos, mas fracos, porque inferiores do ponto de vista hierárquico.

O que se vê na cultura do Estado, hoje, é um reflexo dessa dicotomia. Em situações normais, o gestor da administração cultural é um intelectual, com todos os riscos que isso representa. Mas, sendo intelectual, ele estaria melhor preparado do que os outros para gerenciar uma área que é problemática, polêmica por natureza, de conflitos latentes, antropofágica e sujeita a abalos próprios das estruturas que se realimentam e se autodevoram, em busca de afirmação.

O que se vê, no entanto, são fantoches, testas de ferro, indivíduos que exercem mandatos temporários e que esperam a próxima nomeação, dada pelo partido ou pelo mandante de ocasião. Gente afinada com a cultura, ou com os conflitos que ela engendra, por sua natureza de não conformismo, não tem chance. O que impera são os oportunistas, os espertalhões, os que administram visando a si próprios, porque sabem que os artistas, os criadores, os gênios, não pensam em dinheiro, mas em utopias que nascem de suas mentes inquietas.

 

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