O primeiro ano da TV digital brasileira

Publicado em: 11/12/2008

Ao completar um ano de implantação no País, a TV digital brasileira deverá encerrar 2008 com cobertura capaz de alcançar cerca de 40 milhões de pessoas. Por Daniel Pimentel Slaviero.

A projeção faz parte do levantamento realizado pelo Fórum do Sistema Brasileiro da TV Digital Terrestre (SBTVD), com base no cronograma do Ministério das Comunicações e no Censo 2007 (IBGE).

Antecipando-se ao cronograma inicial, em seu primeiro ano, completado ontem, a transmissão digital já chegou a outras seis capitais (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre e Salvador). Neste mês, segundo dados do Fórum SBTVD, a TV em alta definição alcançou 645 mil telespectadores.

O novo sistema está pronto para ser disponibilizado em Florianópolis e Campinas (hoje) e, até o final de 2009, estará presente em todas as capitais do país e cidades com mais de 500 mil habitantes.

Já para o próximo ano, a expectativa é de crescimento exponencial no número de telespectadores. Há, pelo menos, três fatores que justificam essa previsão: a chegada da interatividade, a maior oferta de receptores – fixos, móveis e portáteis – e conseqüente queda de preço devido ao ganho de escala, e o aumento de cidades com sinal digital.

Estamos no caminho certo, e a avaliação desses primeiros 12 meses é positiva. Não há outra experiência no mundo de país que tenha iniciado as transmissões de seu sistema de TV digital com tanto comprometimento por parte do governo,
da indústria e dos radiodifusores.

Como todo processo de mudança tecnológica, também a transição do sistema analógico para o digital de televisão acontecerá de forma gradativa até a sua popularização. Assim como aconteceu nos anos 50s, com o surgimento da TV aberta no País, e a partir de 1972, com o padrão em cores. Entretanto, o sinal digital avança mais rapidamente.
A TV digital brasileira exigiu mais de uma década de estudos, debates, pesquisas e ações articuladas das emissoras, dos fabricantes de equipamentos de recepção e transmissão, da indústria de software, das instituições de ensino e pesquisa e do governo federal.

Esse esforço culminou no decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que definiu o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre e as diretrizes para a transição tecnológica.

Baseado no sistema de modulação do padrão japonês, com componentes desenvolvidos no Brasil, o sistema brasileiro nasceu, para orgulho de todos nós, como o sistema mais moderno e robusto do mundo.

É preciso lembrar também que as negociações estão avançadas para a adoção em outros países da América Latina, em especial, na Argentina. Mas, afinal, o que muda com a TV digital? O primeiro fato novo é a sensível melhora na qualidade de áudio e imagem. Outro avanço extraordinário é a possibilidade de receber o sinal de TV em aparelhos portáteis e celulares. Nas grandes cidades, onde há um grande volume de tráfego, isso será possível no carro, no ônibus ou no metrô nas cidades.

Mais um aspecto inovador é a interatividade. Em breve, esse recurso desenvolvido pelas universidades brasileiras estará disponível e possibilitará uma interação maior com o telespectador, com acesso a mais informações, diferentes opções de ângulos e, inclusive, meios para realizar compras pela televisão.

É inegável, portanto, que estamos diante de mais um marco da história da televisão aberta brasileira. A implantação da TV digital significa, acima de tudo, a renovação de um patrimônio da sociedade: a televisão aberta e gratuita, que leva informação, cultura e entretenimento a toda a população, promove o desenvolvimento econômico e cumpre importante papel integrador num país de dimensões continentais.

Daniel Pimentel Slaviero é administrador de empresas e presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Artigo transcrito da edição do dia 3 de setembro de 2008 do jornal Folha de S.Paulo.

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