O que está no baú?

Publicado em: 07/12/2008

O que é que está no baú? Era só acertar que ganhava o prêmio. Dentro do baú, trancado a sete chaves, estava o nome de uma das mercadorias em exposição na loja Prosdócimo, estabelecida na Rua 15 de Novembro, em Joinville, nos idos de 50.

Os tempos eram outros. O marketing era feito por meio do rádio e dos jornais. Não havia outro meio. Agência de publicidade só lembro-me de duas: a de Valdir Ribeiro e a Durval Schmidt. Aliás, foi Durval quem criou o “Leão Marinho”, marca da geladeira Cônsul.

A cidade deveria contar com pouco mais de 100 telefones residenciais. Só havia um ponto de táxi – o 614 ­, cujo motorista era o senhor Fruet, que só fumava charuto importado. Não havia fax, internet, ar-condicionado, nem mesmo rádio portátil. E se alguém inventasse em falar que um dia iríamos ter um diminuto aparelho celular, logo era tachado de lunático. É bom interná-lo no hospício, diriam alguns.

Para promover vendas, valia tudo. Até mesmo o senhor João Rudinik, que gerenciava a Loja Prosdócimo, tocava sua gaita de boca para chamar a atenção do público. Mais tarde, chegou a vez do vendedor Luiz Carlos Machado de Souza mostrar o som da gaita de quatro baixos, incentivado a executar músicas germânicas pelo pai, Waldemar Machado de Souza, um conhecido vendedor da Casa do Aço. Com a gaita, atraía fregueses para a Prosdócimo.

Quando menino, com apenas quatro anos, Luiz Carlos já tinha contato com o instrumento. Chegou a fazer apresentações até mesmo nos comícios do candidato a prefeito João Colin, nos salões da periferia: Fluminense, Floresta, Háis e em Pirabeiraba.

Jorge Elias é quem transportava no seu carro o pequeno tocador para as apresentações, enquanto o locutor Mário Hutl levava o menino prodígio de bicicleta até a Rádio Difusora. Na emissora, sob o patrocínio dos Biscoitos Rainha, Jota Gonçalves e Juraci Brosig colocavam um banquinho para o menino chegar mais próximo do microfone.

Já adulto como vendedor da Prosdócimo, enquanto o locutor Charles Weber transmitia a abertura do baú, Luiz Carlos – ou Machado, como é mais conhecido – dava o seu show, diante de uma enorme platéia que lotava a rua 15 de Novembro.  Até os dias de hoje seu passatempo predileto é tirar som do diminuto instrumento.

Mas o que estaria no baú, mesmo? Lembro-me de um ganhador: Luiz Bosco, pai do saudoso radialista Roque e do representante comercial Jerônimo Bosco. Acertou e ganhou um rádio.

1 responder
  1. Haroldo Marinho says:

    “O que está no Baú”…mais uma do grande radialista Eli Francisco…
    Eli essas estórias divertidas retratam o que Joinville já foi…e que hoje muita gente que não conhece esse passado “rico” faz questão de tentar enterra-lo.

    Grande abraço,
    Haroldo Marinho

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