O que você faz aí na pirâmide de Queóps?

Publicado em: 16/11/2013

Pirâmides se tornou praticamente nosso hino à rebeldia contra a censura, não só a oficial dos tempos da ditadura, quanto àquela de colegas músicos que, educadamente, criticavam nossas letras incompreensíveis, sempre complementando que as melodias eram lindas e mereciam poesias condizentes. Foi, talvez, a única que compomos juntos (Márcio e Aldo) do começo ao fim, numa manhã de sábado, em minha casa.

Ilustração

Ilustração

Vou aqui usá-la para mostrar que havia “nosso” nexo em cada letra, dentro do psicodelismo natural dos anos 1970.

Iniciamos com uma pergunta aos críticos que se sentiam superiores musicalmente (O que você faz aí na pirâmide de Quéops?) e os mandávamos pesquisar o desconhecido e o inusitado (…seu lugar é na selva amarga, mata brava do Kilimanjaro…). O refrão (…da aqui o leme…) dizia que cada compositor deve dirigir seu próprio barco (criatividade).

Na segunda parte, gozamos daqueles que nos criticavam dizendo que nosso trabalho era apenas o resultado de consumo de drogas (…a microsulfa, para o que a quero…), completando com imagens de noticiários sobre a corrida espacial, guerra fria, filmes de Fellini.  No desfecho, pedimos “desculpas” aos amigos e parentes por não compormos no padrão dito “normal”.

Pirâmide de Quéops (Márcio/Aldo)

O que você faz aí na pirâmide de Quéops?

Seu lugar é na selva amarga,

Mata brava do Kilimanjaro.

Dá aqui o leme, leme, leme, dá aqui o leme, leme, leme

La microssulfa, para que lhe quiero?

Que digas de astronaves,

Que notícias presumes que eu quero ouvir ?

Evidentemente, restos mortais

De uma explosão de caráter ruminante!

Na feroz orgia da natureza ferida

Por longas veias de marfim… iiim

Que me perdoem os queridos amigos e parentes …

Códigos  de  razão (d)

Aldo Bastos / Márcio César

Tudo se processa de um modo

Que eu já não posso ver

Clareando a cor de um amanhã

Longe da razão, talvez, de entender

Quando será (ah ah)

Que o vento finalmente vai cair

Quando será, então

Que meu mistério

Vou poder desvendar (ah ah)

A emoção (a emoção)

Na razão (na razão)

Da não aceitação (ãão).

Um instante

Aldo Bastos /Márcio César

Sinto além, alguém vem

Para retirar uma escuridão

Tenta fugir um sorriso feliz

Que não consegue morrer no meu rosto

Vem o sol, raio lânguido

Paira longe, lá no horizonte

O seu grito de pasmo

“- E anda um corpo parado!”

Seu olhar penetrante, me diz:

“- Uau ! Já se passou um instante“

“- Uau ! Já se passou um instante“.

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