O Rádio colocou a internet no estúdio e não sabe o que fazer com ela

Publicado em: 16/03/2009

Neste dia 13 de março, comemora-se 20 anos da criação do WWW (a World Wide Web), pelo físico britânico Tim Berners-Lee. Pra entendermos o enredo, viajemos numa breve história do tempo (plagiando Stephen Hawking)…

Roosevelt, Churchill e Stalin estabeleceram as regras para a divisão do território alemão e do território dos aliados da Alemanha na Europa de Leste. Roosevelt e Churchill perceberam que o poder do exército russo era muito superior ao do poder conjunto dos exércitos dos USA e da Inglaterra.

Durante a Guerra Fria, um dos maiores medos dos norte americanos era o de perder as informações hospedadas em servidores localizados dentro de “quartéis-generais” estratégicos.

Se um ponto fosse bombardeado as informações importantes e essenciais não seriam perdidas.

Dessa forma, o Departamento de Defesa americano pensou em um sistema interligado, de modo que o comando não fosse centralizado, com uma rede onde não havia um computador central, à prova de bombardeio, pois o sistema não caía, caso um dos pontos desaparecesse.

Denominou-se tal Rede, que surgiu em 1969, de ARPAnet (Advanced Research Projects Agency). Na verdade essa rede interligava originalmente vários centros de pesquisas. Eis o embrião da Rede Mãe.

No início da década de 80 com o visível enfraquecimento da URSS, uma nova utilidade para a ARPAnet foi desenvolvida: Interligar laboratórios e universidades nos EUA e mais tarde, em outros países. Foi exatamente nessa época que surgiu o nome Internet.

Mas, naquele momento, ninguém pensava no boom da rede.

Apenas no final dos anos 80, a Internet passou a ser vista como um eficiente veículo de comunicação mundial. Cientistas e acadêmicos passaram a utilizá-la de forma muito mais intensa. Só que a Net só existia no formato de texto. Isto a limitava a uma comunidade restrita de cientistas.

Foi então que no final da década de 80, mais precisamente em 13 de março de 1989, Tim Berners-Lee teve a idéia de desenvolver com sua equipe do CERN (European Organization for Nuclear Research, de Genebra), um sistema de hipertexto que deveria funcionar em redes de computadores. Nesse momento, ele pensava apenas nos cientistas que precisavam compartilhar suas pesquisas uns com os outros.

O acesso à Rede foi difundido pelas Universidades e atualmente há toda uma série de redes interconectadas. E como o uso gera demanda, continuamente são acrescentados novos e mais rápidos serviços.

O crescimento foi exponencial.

Surgiu um grande interesse comercial e então aconteceu a grande expansão, gerando uma bolha especulativa que implodiu no ano 2000, fazendo a web estagnar por três anos.

Após a popularidade do Google, das redes sociais e dos blogs, a rede ressurge, mas com outro desafio: o esgotamentos dos endereços e a possibilidade de um colapso em outubro de 2010.

Oráculo de Delfos

Quando a internet começou a popularizar, no final dos anos 90, as emissoras logo perceberam a versatilidade que o novo sistema de informação acrescentaria às emissoras. Assim como os celulares tornaram o rádio ainda mais onipresente, a web deveria torná-lo onisciente.

Porém, algo de errado aconteceu…

O rádio concluiu que simplesmente colocar um computador no estúdio seria a garantia de fontes de informações baratas, acessíveis e que preencheriam o tempo dos programas.

Acontece que reuniões de pautas, investigação, questionamentos, leituras analíticas dos jornais e um ouvido aguçado às aspirações da comunidade, foram rebaixados a um segundo plano.

Nos últimos tempos, todas as emissoras acessam os mesmos portais e dão as mesmas notícias.

Esta solução, fácil no início, trouxe uma armadillha: não foi percebido que o número de ouvintes que acessa a web, e a quantidade de horas navegadas, aumentam vertigionosamente.

A fórmula mágica esgotou-se. Enquanto a web era exclusivista, funcionou. Agora, criatividade é a bola da vez.

E terminando: a linguagem radiofônica exige frases curtas, com sujeito + verbo + predicado. Vírgulas? Raríssimas. A maneira como os textos são dispostos na tela do computador não combina com a leitura de textos para serem ouvidos.

Volto semana que vem ao assunto, e pretendo escrever sobre o abuso dos messengers, os chats e os hotmails da vida, tão mal-utilizados nas rádios.

Um grande abraço!

1 responder
  1. J.Pimentel says:

    Quem disse que o rádio não sabe o que fazer? Claro que sabe! Os radiodifusores mandaram embora o produtor, o redator, o operador de áudio.Reunião de pauta? Você pode contar nos dedos da mão direita do Lula (ou esquerda? aquela que falta um dedo) as rádios de variedades que fazem reunião de pauta. O diretor, geralmente dono da verdade vai logo dizendo:” Não tem internet lá no estúdio? Então se vire…” Conclusão. O carinha lá, da internet que escreveu a noticia, trabalha para as rádios sem ganhar um tostão extra para isso. O mais engraçado é que muitos desses portais de noticia fazem escuta das rádios para retirar noticias e colocar em suas páginas, numa troca de chumbo que parece não doer em ninguém… é até engraçado enquanto trágico.

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