O rádio na escola ou a rádio está no ar

Publicado em: 16/04/2009

Muitas são as fontes, hoje, de comunicação e na contemporaneidade avançam cada vez mais as novas tecnologias e seus inúmeros produtos. Por Mírian Paura

Este artigo tem por objetivo primeiro refletir sobre a importância da relação comunicação e educação e do grandes veículos dessa comunicação e, por outro lado, sinalizar o Projeto Escola Rio da Secretaria Municipal de Educação.

O papel da comunicação é imprescindível para a educação na medida em que ela torna presente essa educação por meio das diferentes mídias no cotidiano do aluno. A mídia não só pode ser ensinada pelos seus diferentes meios, mas principalmente é vivida nesses diferentes espaços. É inegável o que essa mídia pode e deve proporcionar a um aluno, do lazer e da distração à educação e informação. Por meio de linguagens próprias, a comunicação se torna fundamental no processo educativo; não é mais – e só – a voz e fala do professor que ensina e do aluno que aprende, mas de vozes que se interrelacionam na formação do aluno, na construção do sujeito.

No mundo educativo, pelas mãos de Roquete Pinto, o rádio se fez ouvir para tantos ouvintes/alunos, ultrapassando a barreira do som de forma explícita e significativa. O rádio educativo tem uma história longa na comunicação no Brasil e de uma fase de implantação pioneira no cenário brasileiro até o início do novo século foi passando por inúmeras fases com características próprias e se expandindo de forma relevante e significativa. Na educação, no processo ensino aprendizagem – às vezes – não acreditamos na relevância dos conhecimentos não-sistematizados, que são adquiridos por meio das mídias e que em alguns momentos têm uma força maior do que o ensinamento formal que o(a) professor(a) ministra em sala de aula.

Nesse cenário da rádio, dois universos estão próximos: a rádio educativa, que vem de fora para dentro, e a rádio na escola, que vai de dentro para fora, isto é, os alunos aprendem as técnicas com jornalistas e radialistas profissionais. As aulas são dentro de estúdios montados nas escolas.

Esse projeto já existiu, e terminou, mas agora a Secretaria de Educação pode retomá-lo em outro contexto, para que os alunos continuem a ter a oportunidade de aprender a trabalhar no e com o rádio. A prefeitura do Rio de Janeiro, com o projeto Rádio Escola para os alunos da rede municipal, permitia que eles produzissem programas veiculados nas próprias escolas. Esse grande projeto, que está fora do ar, funcionava em 15 estúdios. A Secretaria Municipal de Educação nos informa que vem trabalhando para dar um salto de qualidade na educação e estuda as possibilidades de usar os estúdios no projeto Escolas do Amanhã, o qual vai dar educação em tempo integral aos alunos de 159 escolas situadas em áreas conflagradas da cidade.

Entre outros objetivos, o projeto se propunha a aproximar a comunicação direta entre a prefeitura, a própria escola e a comunidade. Os programas eram montados pelos alunos, sob a orientação dos profissionais da área, e transmitidos duas ou três vezes por semana, no horário do recreio ou na saída das aulas. Acredito – e gosto – muito nessa proposta que envolve educação e cultura, informação e formação, conhecimento e sentimento.

A mídia não pede licença para entrar na escola, na comunidade; não ignorar esse fato e fazer dela uma aliada é da maior importância, pois poderemos discutir/aprender /refletir sobre as questões da atualidade, do cotidiano, da política, da sociedade… e por que não da própria mídia?

Deixo uma reflexão maior para todos nós: que a escola, que os professores não vejam esse trabalho apenas como uma novidade, um recurso a mais para seus alunos aprenderem a trabalhar no e com o rádio, mas sim oportunizem com esse projeto as questões explícitas – ou não – que estão sendo solicitadas na tarefa da educação. Que a rádio entre no ar – o mais breve possível – que os alunos tenham oportunidade de ampliar novos meios de (in)formação e que a escola e a comunidade estreitem mais e melhor as relações em prol de uma educação de qualidade. Acredito que devemos estar ligados nessa rádio.

AESP | Jornal do Brasil, Rio
Colaborou Vera Lúcia Correia da Silva

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