O Rádio nos Jogos Olímpicos

Publicado em: 18/04/2008

As manifestações de repúdio, as agressões e prisões na passagem da Tocha Olímpica pelo mundo não são caso único. Uma discussão que vai longe. Lembram o que ocorreu nos Jogos de Berlim em 1936 com Jessé Owens, em Munique em 1972 como o assassinato de atletas israelenses ou em Atenas em 2004 onde o Vanderlei Cordeiro foi puxado para a calçada por um perturbado Irlandês, deixando de ganhar o ouro.
Por Edemar Annuseck

 O começo

Nas emissoras de rádio do interior brasileiro que foi o meu caso, você acaba se especializando na cobertura dos mais diferentes esportes. Meu aprendizado levou-me a cobertura dos Jogos Abertos de SC transmitindo desde o desfile de Abertura, competições de atletismo, natação e partidas de basquetebol, futsal, handebol e voleibol. Acompanhei de perto os jogos de xadrez, as competições de tiro, bolão, praticamente todas as modalidades. Os Jogos Abertos de SC idealizados pelo brusquense Arthur Schlösser foi um marco para o esporte amador do estado. Antes o GE Olímpico de Blumenau e a SE Bandeirantes de Brusque enviavam seus atletas para competir nos Jogos Abertos do Interior do Estado de São Paulo. A partir de 1960 com a realização dos primeiros JASC tudo mudou.
A presença do rádio
As emissoras de rádio de Santa Catarina lutavam com enormes dificuldades pela ausência de circuitos para transmitir os JASC. Lembro que em 1967 na cidade de Joaçaba ficávamos por mais de sete horas diariamente na Cia. Telefônica esperando na fila o momento de fazer os boletins. Mas, os familiares dos atletas e os munícipes só tinham mesmo o rádio para acompanhar.
Com o passar aos anos a telefonia conseguiu abrir espaços importantes para que o rádio transmitisse ao vivo todos os eventos ou quase todos com circuitos ligados 24 horas durante toda a competição. De lá para cá os Jogos Abertos nos levaram mais para perto das Olimpíadas realizadas de quatro em quatro anos.
Jogos Olímpicos
Estive na Koréia em 1988 a serviço da Jovem Pan na cobertura dos XXIV Jogos Olímpicos. Foi uma experiência fantástica até hoje recordada por muitos pelo que ocorreu durante sua realização. Tudo começou com o fuso horário que deixava a Koréia com 13 horas à frente do horário de Brasília. Segunda-feira meio dia no Brasil significava 1 hora da manhã de terça-feira na Koréia. Levei uma semana para me adaptar. A presença das rádios Jovem Pan e Bandeirantes de São Paulo, Itatiaia de Belo Horizonte, Clube de Pernambuco foram marcantes.
A televisão do Brasil contava com a Globo, Manchete, Bandeirantes e acho que também o SBT na cobertura.
Grande cobertura
O rádio brasileiro teve marcada sua presença nos Jogos de Seoul de forma extraordinária transmitindo os jogos de Basquete, Futebol e Voleibol de nossas equipes e com boletins ao vivo a cada instante. A tevê ao contrário, enfrentava ainda os problemas de Satélite que não era liberado o dia inteiro como ocorre hoje. Eu vivia nos computadores instalados nos corredores do IBC (Internacional Broadcasting Center) onde a imprensa mundial tinha seus estúdios instalados.
Como computador era novidade para nós jornalistas brasileiros, tínhamos através dele a facilidade de buscar as informações oficiais do COI. E no dia em que o Brasil estreou no Basquetebol Masculino contra o Canadá minha estrela brilhou. Os estúdios da Jovem Pan eram isolados das demais emissoras de rádio e tevê do Brasil, já que se localizavam exatamente no andar da KBS a televisão oficial dos jogos. Os primeiros 10 minutos do jogo transmití com exclusividade para o Brasil.
As demais emissoras só tomaram conhecimento que o Brasil estava jogando quando viram as imagens pelo circuito fechado de tevê. E a televisão brasileira embora anunciasse a transmissão ao vivo, foi desmentida pela Jovem Pan. A televisão só mostrou o jogo quando ele já tinha sido encerrado. Como o Satélite não estava liberado no horário da partida, o rádio deitou e rolou. Com isso os jogos que ocorriam às 11 da manhã na Koréia – 22 horas do dia anterior no Brasil – só podiam ser vistos em vídeo – tape. Quando voltei ao Brasil o vice-presidente da Federação Paulista de Basquetebol, Professor Fábio Gomes de Barros ao me encontrar cumprimentou o trabalho realizado e foi além. “Num dos jogos fui dar uma palestra na USP e pedi ao motorista que ficasse no carro. Queria retornar à tempo de assistir o jogo. Voltando ao carro o pedi ao motorista que ligasse o rádio pois queria ouvir as suas informações antes da partida começar. Ele foi logo dizendo. Chefe o jogo já terminou eu ouvi a transmissão do Edemar pela Jovem Pan”.
E em Pequim
O mais fiel companheiro dos brasileiros o rádio será de grande importância este ano nos Jogos de Pequim, exatamente pelo fuso horário, assim como o rádio será de fundamental importância na Copa do Mundo da África em 2010. O fuso horário da China em relação ao Brasil é de 11 horas à frente. Isso significa que nem todos terão a condição de acompanhar pela televisão os jogos e competições em que o Brasil estiver envolvido. É nessa hora que o rádio ganha espaço. Resta saber se este ano os XXIX Jogos Olímpicos em Pequim que se iniciam dia 8 e terminarão em 24 de Agosto terão o rádio brasileiro presente. Espero que sim, já que o rádio continua sendo o grande companheiro nosso de todas as horas. É isso aí.
Visite: www.edemarannuseck.blogspot.com


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