O Reino dos Esquecidos de Miro Morais

Publicado em: 06/06/2013

 

Miro Morais, o autor do clássico A Coroa no Reino das Possibilidades chega às prateleiras literárias nesta sexta-feira, 7/6, com O Reino dos Esquecidos – uma  obra destinada a incluir-se entre os grandes romances clássicos”, diz o editor Nelson Rolim de Moura, diretor da editora Insular. E continua Nelson: O mundo imaginário – maravilhoso e inacreditavelmente real ?, as múltiplas histórias articuladas com o enredo central, os personagens, tudo envolve e fascina a cada página, a cada parágrafo, a cada frase, em que as palavras são precisas. Um raro livro, em qualquer tempo, sem gratuidades dentro da literatura. Uma obra ao mesmo tempo lúdica e capaz de provocar uma maior visão sobre o mundo humano e sobre cada leitor”.

O lançamento está programado para iniciar às 17h30 no Restaurante Lindacap, altos da rua Felipe Schmidt, em Florianópolis/SC.

Dom Manoel Manso, um fidalgo muito próximo ao Imperador, por razões misteriosas, abandona a Corte no Rio de Janeiro e se lança à aventura de criar no Sul do Brasil um povoado onde as pessoas possam ser felizes. Para realizar o seu sonho não lhe basta dominar a natureza hostil e fascinante e aprender a conviver com ela. O seu projeto entra em conflito com as crenças e as regras, a ordem e a desordem e o Poder que reina sobre tudo e todos. E isso se transforma em mais uma ameaça para o seu plano e a sua vida.

Mas a determinação de Manoel Manso não tem fronteiras para criar o seu mundo imaginário, que se superpõe ao real. Aos poucos, ele atrai para a sua ideia, vista como visionária, sobretudo, os que nada tinham. Nem bens matérias nem esperanças. E, logo, também os ambiciosos de riqueza e poder. E tudo vai se transformando em um universo com alma própria. Bravatá, o novo povoado, surge dentro da selva, habitado por pessoas vindas de todas as partes, falando línguas diferentes, comungando a vida sem apegos às múltiplas diferenças e se torna o centro do universo onde tudo acontece. O seu fundador perde o controle sobre cada um dos moradores e sobre o seu mundo. Um mundo de beleza e contradições. Habitado por pessoas em busca de um destino melhor. Um mundo onde o amor que mata e a violência que salva são partes complementares do que vivem.

Pequenos e grandes heróis expõem suas paixões, seus ódios, seus amores, a traição e a solidão, suas esperanças, tristezas e alegrias. As suas múltiplas histórias se entrelaçam, ? em capítulos que se autojustificam, ? dentro de um enredo maior, onde convivem os aventureiros e os acomodados; os santos e assassinos. Às vezes em uma só pessoa.

Diante de tudo o que acontece o fundador não perde a sua crença no ser humano. Nem mesmo quando ele próprio, amado e odiado, caminho de uns e obstáculo de outros, está frente a frente com o seu matador.

Para Dom Manoel Manso o ser humano é o seu santo e o seu demônio. E, dentro dele, perde o que ele conseguir mais fragilizar. E é esse desafio da liberdade que ele próprio, cada um dos moradores do lugar que fundou e o país se deparam todos os dias, todos os momentos, que o desencanta e o fascina. Um romance que entrelaça vidas e ficção para envolver o leitor em cada historia e à cada pagina.

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Miro Morais – Altamiro de Moraes Matos – nasceu em Gravatal, Santa Catarina, em 1937, filho de mãe professora e pai comerciante, e desde cedo se encantou pelos livros. Depois da infância, “lendo até a exaustão” e se evolvendo em domas de cavalos e agricultura, assumiu a inquietação e a versatilidade intelectual que lhe marcam. Planejou, implantou e foi reitor de universidade. É planejador, pesquisador social, cultural e educacional, jornalista e foi professor titular em oito disciplinas. É sociólogo, formado em filosofia, história e psicologia, pós-graduado em história e educação, autor de projeto para a UNESCO e executivo de empresas.

Essa inquietação foi o fio condutor para a literatura. O primeiro romance, A Coroa no Reino das Possibilidades (1967), marcou, segundo a crítica, uma inovação formal do gênero. “Na ficção brasileira dos últimos tempos, o livro de Miro Morais é, sem dúvida, uma experiência sob muitos aspectos nova e curiosa sempre. Fundindo e erguendo pequenas histórias, construindo uma galeria de tipos e personagens que logo se humanizam, dá, ao final, uma unidade que é o resultado de aparente fragmentação,” na análise de Salim Miguel.

O romance seguinte, Cândido Assassino, (1982) foi acolhido, entre 326 originais examinados por uma Comissão Julgadora formada por Antonio Houaiss, Guilhermino Cesar, Hélio Pólvora, Nereu Correa e Otto Lara Resende, como Prêmio Cruz e Souza.

Os dois romances, que foram bem recebidos pela crítica de todo o pais, e com edições que logo se esgotaram, continuam sendo elementos de estudos em universidades. O Reino dos Esquecidos é uma nova proposição ficcional, resultado de alguns anos de trabalho.

Nas áreas de ciências humanas publicou: Filosofia do Estado Democrático (1968) e Planificacion Universitária (1975).

Vive em Florianópolis, às margens da Lagoa da Conceição.

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