O romance do jornal

Publicado em: 30/05/2015

O Estado festeja seus 100 anos pós-vida “física” revelando saudável existência memorial. Celebra com banda de música, livro e a memória mais do que saudosa dos que viveram a sua história.

Sergio da Costa RamosNo livro estão os tempos românticos vividos dentro dos vitrais de uma catedral do jornalismo catarinense, pia batismal de tantos craques desta Ciência que Alberto Dines define como “a que apresenta os fatos, investiga e busca a sua circunstância”.

Três coisas estavam sempre prontas no “Velho Testamento”: o editorial do dia Sete de Setembro; a reportagem da procissão do Senhor Jesus dos Passos e o clichê de algum comício do PSD –  um mar de chapéus em oito colunas, divididas em três chapas de zinco.

Durante sessenta anos “O Estado” apresentou os fatos de uma Floripa risonha, franca e bipolar: quem era do PSD, dançava no Clube Doze, bebia “Faixa Azul” no  Bar Rosa, torcia pelos “players” do Avaí no Campo da Liga e pelos “rowers” do Martinelli nas raias da Baía Sul. A UDN valsava no Lira, bradava nos estádios pelo Figueirense, vibrava nas raias pelo Aldo Luz e degustava a rubiácea no Café do Quidoca, em plena Felipe.

Os primeiros liam “O Estado”; os segundos usavam-no para embrulhar tainha ovada no Mercado, enquanto assinavam “A Gazeta” – mas todos confraternizavam no Ponto Chic e na Confeitaria Chiquinho, pontos dos armistícios da amizade e da civilização.

Se o AI-2 remeteu os políticos à mais oval das perplexidades, “O Estado” inaugurou, em seguida, já sob a direção de José Matusalém Comelli, o jornalismo a favor do leitor – para ser, em última análise, a favor de si mesmo.

Nascia em Santa Catarina o jornalismo      equidistante dos partidos e a favor do leitor. Da Olivetti para o telex. Deste para o fax e o computador, o novo jornal vivendo a revolução dos meios.

O jornalismo da segunda onda conectou-se com os da terceira e da quarta geração, que se interligaram e se complementaram, trocando dados, símbolos, imagens – tornando o mundo pequeno e ubíquo.

O romance desse jornalismo ganha livro   comemorativo na Fiesc – onde se reencontra a Floripa ecumênica, o Lira, o Doze, o Senadinho, a orquestra do maestro Zezinho, os alegres rapazes da imprensa e o “tout” Floripa – a de ontem, a de hoje, a de sempre.

[Por Sérgio da Costa Ramos,  Diário Catarinense, 30/05/2015]

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