Oito anos sem Nagib

Publicado em: 22/12/2008

Neste mês de dezembro, precisamente no dia 18, completaram-se oito anos da morte do amigo e ex-político Nagib Zattar. E neste mês de tanta chuva a lembrança de Nagib fica mais presente, mais forte.

Fica mais viva na memória da gente aquele sírio-libanês que quando conversava parecia que estava sempre negociando. Na verdade, ele negociava mesmo, mas era sempre para beneficiar alguém. Ah! Se vivo estivesse e em meio a uma catástrofe como essa que assolou nosso Estado, lá estava ele no meio da chuvarada tomando providências.

E nos tempos em que era deputado, não tinha padrinho presidente, senador, nem governador, prá lhe atender… mas ele negociava. Êta, homem pra negociar as coisas que traziam alento à população, principalmente carente. Uma das coisas que mais me impressionava era a sua disposição. E nunca saber dizer não a quem precisasse. Foi deputado numa época em que arrumar dinheiro não era tarefa fácil.

Mas, para Nagib não existia o impossível. Tinha acesso livre em qualquer gabinete e quando as coisas não davam certas ele logo ia dizendo em tom enérgico, mas com um sorriso meio maroto; ”Olha, quem mandou resolver esse problema foi o governador. depois vocês vão se ver com ele…”.

Com os colegas dos meios de comunicação então ele tinha acesso livre. Não sei como fazia isso, mas todo o final de semana trazia recursos para ajudar essa ou aquela associação. Assessor me parece que só tinha um. E não era parlamentar de gabinete, nem teve programa de rádio ou TV, aliás, naqueles tempos nem havia TV. Era rádio e jornal e, Nagib, era o mais assediado.

Era tão admirado e respeitado pelos profissionais da comunicação que não havia necessidade de ter programa próprio para anunciar seu desempenho na Assembléia. E não havia cachê, jabá ou qualquer gratificação. Mas, sempre no final do ano vinha a recompensa: ele mesmo ia à casa de cada um de nós para entregar pessoalmente uma cesta de natal.

Sabe de uma coisa – isso dá saudade…  Quando chega essa época começo a olhar para o portão de minha casa e espero o Nagib chegar com seu sorriso aberto, me dar um abraço, cumprimentar todos os familiares e desejar um feliz Natal.

Oito anos se passaram desde que ele nos deixou, mas ainda me recordo bem da última cesta de Natal que recebi. Ele já a havia comprado pouco antes de falecer e foi seu assessor que chorando entregou-a em minhas mãos.

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