ONTEM NO RÁDIO

Publicado em: 09/04/2007

Aquelas ondas do Rádio – onde se falava de saudade – estão perdidas nas quebradas do tempo e do espaço… Ficaram as frases de amor, tão difíceis de serem novamente ouvidas ou escritas. Nós ainda tentamos reviver um pouco que resta de ternura e o muito que a imaginação guardou…
Por Donato Ramos

Para quem sabe sentir, o milagre que a música do passado provoca: faz-nos, novamente, viver as coisas boas que aconteceram no longínquo passado de cada um.

Existe na vida de cada um, um espaço solitário.
Aquele tempo que separa o ontem do hoje, nada deixando de esperanças concretas para o amanhã.
Nesse espaço solitário, colocamos um pouco da nossa sensibilidade, no muito que cada um tem para recordar.
E reviver é bom! Tente! Com este fundo musical, retorne aos caminhos do ontem…
Viva, novamente viva, os melhores momentos do passado que não acontecerá jamais…

Modinha que nos transportará para muito longe, longe da alienação de agora. Falemos de imagens floridas, de colorações do santo amor, dos olores das flores da madrugada.
Modinha que nasceu do sentimento de alguém e que, até agora, ninguém sabe o nome do seu autor.
Aqui está CARLOS JOSÉ falando das coisas mais lindas, na mais bela das formas: cantando como só ele sabe cantar modinhas.
MODINHA – N.N. – CARLOS JOSÉ

Volta para o meu amor, diz o poeta.
Eu te quero sempre aqui. Eu que vivi para te adorar não posso, hoje, viver sem ti. É melhor morrer, se não voltas mais.
Meu amor, que tristeza anda tudo aqui…
Que saudade eu tenho de ti.
Volta para o meu amor!

De mãos dadas, lá vão os dois…. De mãos dadas pela vida, enfrentando a todos os tropeços, sem saber que um dia, sofrerão ao largarem-se as mãos. São os namorados!
VALSA DOS NAMORADOS – Silvino Neto – CARLOS GALHARDO

Muitas vezes a gente traça os planos e espera a vida passar, para vê-los realizados.
Muitas vezes, na estada tão longa da compreensão, a gente fica sem saber o que fazer, por ver os sonhos irem se diluindo, desaparecendo… morrendo… Muitas vezes, você desiste.
E quando quiser recomeçar, é tarde. Nada  mais existe.

Não me perguntes nada.
Nada direi.
De que adiantaria falar daquilo que a gente apenas sonhou e não conseguiu ir além dos primeiros passos…
Algum dia, talvez, eu fale.
E você, talvez, não compreenderá.

A saudade triste, junto ao poeta, chorou.
A lágrima pura também existiu.
O poeta sabia ter dentro de si alguma coisa que, aos poucos, ir tomando forma… A materialização da lembrança… Olhos aprisionados na saudade daquilo que, um dia, existiu.
Veja o que sobrou do poeta: olhos alongados no horizonte, à procura daquilo que fugiu de si.

A felicidade morava ali, pertinho, sem que ninguém a descobrisse.
Todos por ela passavam, faziam rimas, trovavam madrugadas, contavam a lua e partiam à procura de algo mais.
No passado, foi ficando a felicidade.
Por essa razão, as lembranças ferem muito mais… a felicidade estava ali e ninguém sabia!

Abri e fechei todos os livros sentimentais que tinha.
O dicionário não conta. Lembrei-me de tudo o que vi e senti em toda a vida e não encontrei um pensamento que pudesse traduzir o que minha alma fez por ti.
Restou-me, apenas, o que já era muito: ficar a repetir o teu nome.
Apenas ele, na saudade que é só minha!

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