Os bastidores da pesquisa acadêmica sobre o rádio santista

Publicado em: 10/02/2008

Quem já fez Trabalho de Conclusão de Curso, monografia ou dissertação pode imaginar o grau de dificuldade que é uma tese de doutorado. No caso específico desta pesquisa, foram 5 anos entre disciplinas até a defesa na Metodista.
Por Rúbia Vasques

Mas este tipo de trabalho não tem apenas entrevistas, pesquisas e produção de texto, tem também o lado das curiosidades e as dificuldades que encontramos para a realização da pesquisa e conseguir as informações necessárias para a construção do texto.
Infelizmente as emissoras de rádio santistas não possuem o hábito de guardar documentos históricos ou contar sua própria história com freqüência. Os funcionários mais antigos até conhecem os fatos mais antigos da emissora, mas aquele arquivo é oral e se não for registrado em algum lugar seja com texto ou fotos, vai com o tempo. Desta forma, quando aparece alguém interessada em registrar a história através de entrevista e coleta de dados, nem sempre encontra a devida paciência por parte dos entrevistados. Assim, minha primeira dificuldade foi descobrir o início de tudo, os primeiros fatos ligados ao rádio santista.
Graças aos historiadores locais foi possível encontrar antigos registros da história do rádio santista, como também da cidade de Santos. Para começar a contar esta história esta pesquisa teve início no trabalho de 1986 onde Francisco Martins dos Santos e Fernando Martins Lichti editaram o livro História de Santos/Poliantéia Santista. A publicação possui poucos exemplares, mas pode ser encontrado tanto na biblioteca da Universidade Católica de Santos (UNISANTOS –  http://www.unisantos.br/bibliotecas/) como também no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (http://www.geocities.com/Athens/Acropolis/6710/insti.htm)
Hoje em dia as informações sobre a história da cidade de Santos também podem ser consultadas via internet. Veja no site: http://www.novomilenio.inf.br/santos/index.html
Do agendamento das entrevistas até conseguir fazê-las foi um capítulo a parte desta pesquisa. Aprender a esperar e respeitar o ritmo do outro. Entender que quem está no mercado, tem um outro ritmo, está naquele corre-corre de uma emissora de rádio. E mais, ser tratada como professora, pesquisadora, o que na verdade quer dizer: “Ah! Ela não está fazendo nada, pode esperar…” o que significou as vezes, meses de espera por uma entrevista e dados reais que valessem a pena registrar. O lado positivo foi o prazer de rever velhos amigos e colegas de trabalho e poder olhá-los como objeto de pesquisa.
Um diretor de uma emissora me fez remarcar a entrevista umas 15 vezes. Quando finalmente fui atendida, ele disse que falar sobre o que eu queria daria muito trabalho, e que por este motivo eu deveria procurar seu filho, pois, ele teria mais tempo e paciência para isso. Ou seja, não deu a menor importância à pesquisa, tampouco para o registro da história da sua rádio. Conclusão, nem o filho soube me contar a história.
Dentre as informações obtidas nem todas foram positivas e enriquecedoras, algumas me mostraram a realidade dos profissionais do rádio santista, o que pode ser também uma realidade em outras cidades. Fiquei comovida várias vezes ao me deparar com o fato de que alguns radialistas que no passado foram campeões de audiência, hoje estão em outra situação: um catando papelão na rua, outro tomando conta de estacionamento e uma grande voz do rádio, sumido por aí dormindo pelas ruas de Santos.
Para quem quiser conhecer um pouco sobre os sites das emissoras santistas que estarei contando a história, ai vai. É possível inclusive ouvir a programação das emissoras on line e até visitar alguns dos estúdios:
Rádio Cultura FM – 106,7 MHz: http://www.radiocultura.com.br/fm/
Rádio Cultura AM – 930 KHz: http://www.radiocultura.com.br/am/
Rádio Guarujá FM – 104,5 MHz: http://www.guarujafm.com.br/
Rádio Tribuna FM – 105,5 MHz: http://atribunadigital.globo.com/trifm/2006/
No próximo texto, vou inserir novos links para os interessados em sintonizar as ondas do rádio santista. Até lá…
 


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