Os Canudinhos e redondeza

Publicado em: 10/08/2013

Música | Ilha do Meu Som | As novas turmas

Márcio Santos

No final dos anos 1960, acrescentei mais uma turma às muitas que tinha, pois sempre me relacionei muito bem com várias patotas da cidade, de mais diferentes bairros, estilos de vida, tendências, classes sociais. A mais importante foi a de minha região, “Os Canudinhos”, que abrangia a General Vieira da Rosa, Major Costa, Tico-Tico, onde curti muito folclore, como Boi de Mamão, futebol (dalí saíram boleiros que se consagraram nos times da Capital como Moacir, Carlos Roberto, Caco, Jaico, dentre outros), e samba (sede da Copa Lord).

Nesse ambiente fui criado desde a mais tenra idade, complementada pela turma da “Catedral”, onde fui “cruzado” e “coroinha”. Foi ali que conheci a música sacra, com o Coral Santa Cecília e o órgão maravilhoso que a acompanhava nas festas religiosas.

Mas logo me enturmei com a rapaziada da Crispim Mira, pela musicalidade e filosofia de vida.

Na região, morava De Maria, grande contrabaixista da cidade, cujo filho Maureci (Ci) também batia um violãozinho e sua irmã dava aulas de violão. O ponto de reunião da turma era a casa do Zuvaldo Ribeiro, em cuja calçada passávamos noites a cantar e comentar sobre leituras da época, como Castañeda, Kalil Gibran, Herman Hesse, Saint Exupery, Kafka, etc.

A competência e ecletismo musical de Zuvaldo o faziam ser procurado por vários novos músicos da cidade querendo aprender seus maravilhosos acordes. Foi ali que conheci Machadinho, que futuramente se tornaria um dos músicos mais requisitados da Capital. Interessante é como comecei a fazer parte desta turma.

Como já mencionado, participei da turma da catedral, onde tinha Álvaro Preis como um dos melhores amigos. Numa visita costumeira à sua casa, conheci seu irmão Miro e amigos, com destaque para Zuvaldo, Reinaldo Moreira, Valmir Silva, Gilberto Varela, Cirineu Martins, Roberto Costa e Ringo (Carlos Andretti). Apesar de origens diferentes, comungavam o mesmo gosto pelos livros e pela música, principalmente a inglesa.

Zuvaldo já era praticamente um profissional da música, estudava na Escola Técnica Federal (Industrial, como chamávamos), onde ensaiava com o guitarrista João Moreira (depois, Mugnatas, Mustangs, The Saints). Além de ser líder nato, era um dos melhores cantores de Floripa, indo desde John Key (Sttepenwolf) a Caetano Veloso com a mesma qualidade. Mesmo conhecendo muitas músicas antigas, era um inovador, tendo em seu repertório muitos Beatles, canções da tropicália, jovem guarda, clássicos ingleses, incluído músicas populares e sucessos da época.

Reinaldo era ótimo na língua inglesa, trabalhava no escritório de um advogado com ligações com os States, vindo a se tornar um grande baixista, além de bater bem um violão. Tocou na Messe e nos Estranhos (de José Cabral), vindo mais tarde a liderar o grupo Folk, com Nicolau Varela, Cesar Gondin e Roberto Costa.

Ilha de meu som. Mário Tonelli. Florianópolis: Edição do autor. Pgs.  30 e 31

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *