Os Comentaristas Esportivos do Rádio

Publicado em: 01/03/2008

Depois de merecidas férias curtidas a frente do computador aqui no terceiro andar da minha casa em Curitiba, devidamente autorizado pela chefia – Antunes Severo, Ricardo Medeiros e Alexandre Cerri – retorno com  as baterias recarregadas.
Por Edemar Annuseck

Agradeço aos companheiros por registrarem o lançamento do blog – www.edemarannuseck.blogspot.com – e aos que emitiram seus comentários. Um amigo disse que o blog vai bombar. Estou preocupado, ainda não achei a bomba compatível com o blog. Mas, vamos ao que interessa…
Com quem trabalhei
Já escrevi sobre narradores e narrações esportivas. Hoje o assunto são os comentaristas. Dividi prefixo e transmissões com os maiores comentaristas da recente história do rádio esportivo brasileiro. Randal Juliano, Orlando Duarte, Cláudio Carsughi, Leônidas da Silva, Mauro Pinheiro, Barbosa Filho, Loureiro Junior, Antonio Sola, Nelson Lenham, Vital Bataglia, Mauro Nóbrega, Gérson o canhotinha de ouro, Antonio Carlos Salles, Walter Parente, na Jovem Pan, Tupi e News no rádio em São Paulo. Em Curitiba com Raul Mazza do Nascimento, Capitão Hidalgo, Airton Cordeiro, Dionísio Filho, Eduardo Vieira. Em Santa Catarina na Rádio Nereu Ramos com Álvaro Correia, Alírio Barth, Aurélio Sada  e o Senador Evelásio Vieira. A esses profissionais rendo as minhas homenagens. Profissionais e companheiros respeitados e que respeitavam.
Grandes nomes
Convivi com profissionais consagrados no rádio esportivo brasileiro. Muitos dos
que eu ouvia bem antes de ingressar no rádio e que mais tarde vieram  à
tornar-se meus companheiros de profissão. João Saldanha foi um deles.
João Saldanha tinha um estilo único, e  o respeito de todos.
Tive uma passagem curiosa com João Saldanha em Brasília antes de uma partida da seleção brasileira. Grande parte dos jornalistas se encontrava hospedada no Eron. Na manhã do jogo após o café desci até o hall onde encontrei o “João sem medo”. E o papo foi rolando até que se abriu a porta de um dos elevadores. Surgiu Paulo Stein na época narrador da TV Manchete. Olhando para o Stein João Saldanha foi dizendo “chegou seu irmão gêmeo”. A cada nova encontro a situação era repetida.
Colegas de rádio
Quem também marcou na minha vida profissional foi Randal Juliano, nome consagrado pela TV Record com programas de grande sucesso na época e que depois passou a ser comentarista esportivo na Jovem Pan.
Realizamos juntos muitas transmissões na Jovem Pan. Randal Juliano foi um grande incentivador da minha carreira. Um dia a caminho de um jogo noturno no estádio Vivaldão em Manaus, ele deu pela falta de seus óculos de grau. Pedi ao taxista que retornasse ao Hotel. Randal não permitiu  afirmando que se não enxergasse bem que não me preocupasse que ele comentaria baseado na narração.
Cláudio Carsughi o comentarista internacional da Jovem Pan, nascido em Arezo na Itália esteve comigo nos principais jogos dos mundiais de 74,78, 82 e 86. Grande companheiro e profissional dos mais competentes. No aniversário da cidade
de Guairá – divisa São Paulo-Minas Gerais – Corinthians e São Paulo fizeram a festa. No almoço, Carsughi pediu filé com fritas e aspargos na manteiga. O garçom olhou para os lados, para o cardápio e viu que o tal prato não existia. Pior ele nem sabia o que eram aspargos. Carsughi preferiu não pedir outra coisa. Esperou que terminássemos de almoçar para procurar um outro restaurante. Ficou sem almoçar,
pois não havia outro para as exigências do Carsughi.
O mais famoso
Entre 1986 e 1987 trabalhei com o mais famoso comentarista esportivo brasileiro como anunciava Pedro Luis, Mário Moraes. Mas não foi no rádio. Mário assumiu a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo a qual integrei de 76 a 90.
Mário Moraes já estava afastado do rádio e da tevê. O “leão” como era conhecido foi um dos maiores comentaristas do país.
Também narrou futebol na tevê nos anos 60. Transmitia pela TV Tupi esbanjando conhecimento e criatividade. Criou frases marcantes como “lá vai ele” quando Pelé pegava na bola.
Em 1962 depois do Mundial do Chile escalado para comentar partida do Santos numa noite de sábado no Pacaembu quando da cobrança de uma falta contra o time peixeiro arrematou “é só chutar que o Gilmar não enxerga à noite”.
Numa outra ocasião no comentário preliminar de um amistoso da seleção brasileira no Maracanã prognosticou. Jogo fácil para o Brasil deve ser de cinco pra cima.
A partida terminou em zero a zero. Mas o Brasil inteiro respeitava e reverenciava Mário Moraes.
Os bons dos pampas
No sul dois comentaristas marcaram a minha juventude e com eles passei a cruzar nos estádios de futebol dentro e fora do país. Rui Carlos Ostermann, carinhosamente chamado de professor desde 1957 e Lauro Quadros.
São marca registrada e patenteada do comentário esportivo do Rio Grande do Sul e de todo o sul do país.
Comentar o jogo
Os comentaristas esportivos dos anos 50, 60, 70 não podem ser comparados aos de hoje. Não é só pela qualidade. Ocorre que hoje os comentaristas ficam à frente da tevê para analisar os jogos. O que vê o comentarista na tevê. Um retângulo sem ter a visão exata do campo de jogo. Há uma vantagem. Comentam em
cima do replay. Os comentaristas de arbitragem também tem sua tarefa facilitada. Opinam após a repetição do lance. O conteúdo dos comentários mudou bastante; os comentaristas de ontem eram respeitados pelos ouvintes pela forma como se expressavam com opiniões e prognósticos. Nem sempre acertavam é verdade. Mas
tinham a coragem para falar a verdade (slogan do falecido Oswaldo Faria da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte). Existem as exceções nos dias de hoje, mas, a grande maioria opta por ficar na defensiva (em cima do muro), no comentário preliminar.
E acrescento. Comentar – ao vivo – do estádio é uma coisa e comentar do estúdio pela imagem da tevê é outra.
O off-tube está limitando os comentaristas e tirando-lhes a credibilidade.
Curiosidades
Fatos curiosos estão bem vivos na minha retina a respeito dos comentaristas esportivos. Presenciei comentaristas que “tiravam uma soneca durante o jogo” e só acordavam quando eram chamados. Comentaristas que escreviam o comentário durante o desenrolar do jogo para interpretá-lo no intervalo e no final.
Comentaristas que saem da cabine para fumar do lado de fora; comentaristas que retiram os fones; ficam sem saber o que rola nas informações dos repórteres e plantões esportivos. Comentaristas que não vêem à hora de ser servido o lanche e os refrigerantes nas cabines. Já ví muita coisa acontecer, mas, com certeza ainda não ví tudo.
Uma ótima e abençoada semana a todos.
Link Relacionado
:: www.edemarannuseck.blogspot.com
 


{moscomment}

2 respostas
  1. ival picolotto says:

    boa tarde, gostaria de poder contactar com comentaristas esportivos, quero trocar idéis sobre jogos, para fazer apostas na loteria esportiva, a popular loteca., obrigado.

  2. Gustavo De Mauro Bezerra Pinheiro says:

    Prezado, Edemar Annuseck, boa noite!
    Meu nome é Gustavo, sou sobrinho do Mauro Pinheiro. Fico muito feliz em ler histórias de meu, querido tio, de quem tenho poucas lembranças, pois quando ele subiu para o andar de cima eu era muito novo.
    No dia de sua partida eu tinha 9 anos de idade e me lembro de ver meu pai, Murillo Pinheiro, chorar muito e pela única vez em minha vida. Tenho mantido contato, por e-mail, com seu amigo, o Sr. Flávio Araújo. Sou carioca, moro no Rio e a exemplo de meu tio, pretendo, também, me formar em jornalismo e direito. Eu já trabalho na área, faço a festa de encerramento do campeonato brasileiro todo ano, desde 2007. O meu evento chama-se GOL DA ALEGRIA, um evento sócio-esportivo, que tem a transmissão, ao vivo, pelo SporTV. Estamos começando um novo trabalho. Vamos fazer um programa no canal, que deve estrear em agosto desse ano e terá a minha apresentação. Agradeço á Deus por vocês que não deixam morrer as lembranças de meu tio.

    Um grande abraço
    Gustavo Pinheiro

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *