Os haitianos & os remédios

Publicado em: 07/05/2014

UM – O que mais encontramos pelas calçadas, pelos becos, pelos comícios, pelos bares é gente esgualepada de tanto falar em direitos humanos. Falar! Entre nós há inclusive grupos que se apropriaram do direito de tratar de tão complexa universal questão, é gente que se especializou e vive disso. O governador do Acre, Tião Viana, do PT, pertence a um desses grupos e na semana passada demonstrou o quanto a covardia, a incompetência, a brutalidade podem estar escondida atrás de um discurso bonito para nos enganar na hora de uma eleição.

Diante da ausência de medidas cabíveis por parte do Governo Federal, a quem cabe a responsabilidade de um problema dessa natureza, dessa envergadura o apavorado Tião Viana jogou no lixo sua máscara de defensor dos direitos humanos e decidiu se livrar dos haitianos que chegam aos borbotões e estavam sem seu Estado.

O jornalista Elio Gaspari foi curto e grosso ao abordar esse triste episódio em O Globo: “na semana em que o Papa Francisco canonizou José de Anchieta, o governo do Acre completou a desova, em São Paulo, de 400 haitianos que se refugiaram no Brasil. É um truque velho, usado até mesmo com brasileiros. Quando um prefeito incomoda-se com a chegada de migrantes, dá-lhes algum dinheiro e passagem de ida para outro lugar, desde que não apareçam mais por lá”.

Diante da reclamação das autoridades de São Paulo pelo modo calhorda com que o Governador do Acre se livrou do problema que era seu, Tião Viana usou golpe baixo e apelou para a velha cantilena de que as “elites brancas paulistas” estavam fugindo da questão. O troféu Cara de Pau do ano vai para Tião Viana…

DOIS – Deu na “ZH”: em oito anos 60 TONELADAS de medicamentos foram parar no lixo no Rio Grande do Sul por causa da incompetência dos nossos governantes. Não estamos falando de algumas caixas, estamos tratando de 60 TONELADAS, o que é uma quantia exorbitante se levar em conta o peso médio das embalagens. Trata-se de uma montanha de produtos postos fora por causa da falta de capacidade de gestão. Agora a gente compreende a irritação com que o empresário Jorge Gerdau criticou o caos administrativo implantado em Brasília e nos Estados. Estamos botando dinheiro fora pelo ralo sem atender as necessidades mais básicas da população.

Obviamente que ao fim e ao cabo não encontraremos a quem responsabilizar: segundo o jornal o secretário estadual da Saúde diz que a culpa é do Ministério da Saúde que remete medicamentos em excesso e com prazo curto de validade para o Rio Grande do Sul e a autoridade federal diz que só manda o que foi solicitado.

Isso não vai dar em nada, claro. É assim que a coisa funciona. Mas notem: se os remédios, cuja função é de vida ou morte para milhares de rio-grandenses, tem esse tipo de cuidado o que podemos esperar quando se trata de educação, estradas, portos, aeroportos? Mais de 135 mil gaúchos dependem dos medicamentos do Poder Público e nós conhecemos o quanto eles sofrem nas filas e nas idas e vindas pelos postos de saúde e pelas farmácias oficiais em busca do remédio que sempre termina rapidamente.

Quantas pessoas tiveram seu estado de saúde agravado ou até morrido por falta dos remédios que a incompetência e o desprezo pelos cidadãos levou para o lixo?

Num país que grita tanto por direitos humanos, que patrulha qualquer pessoa por qualquer deslize, qu

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