Os sertanejos do rádio blumenauense nos anos 50

Publicado em: 27/01/2008

Por volta de 1950, quando Blumenau completou 100 anos, a PRC-4 Rádio Clube apresentava um programa sertanejo com a dupla Tangará e Macuquinho. Esta informação consta inclusive em uma reportagem da revista “O Vale do Itajaí”, do jornalista Osias Guimarães, publicada naquele ano. Tempos depois a dupla foi desfeita.
Por Carlos Braga Mueller

Antônio Pera, o Tangará, acabou formando então um trio com suas duas filhas, Sílvia e Marina, que batizou de “Tangará e as Irmãs Pera”.
Lá por volta de 1957,1958, era este trio que abria a programação da PRC-4, às 6 da manhã, ficando uma hora no ar. E Tangará fazia também a leitura dos anúncios, ou como diria o Faustão, dos “reclames”, porque era difícil conseguir-se um locutor comercial para aquele horário.
Por essa época havia sido colocada no ar a Rádio Clube de Indaial.
Pois não é que o Tangará encerrava o programa da PRC-4 às sete da matina,  pegava o seu velho Ford-A 1928, colocava as filhas dentro e se mandava para Indaial, onde às 8,00 horas da manhã iniciava o seu programa de lá.
Tinha apenas uma hora para chegar na outra rádio, dependendo da boa vontade do forde bigode.  Falando hoje, parece fácil vencer 30 quilômetros de estrada. Mas  não era fácil não. A estrada era de barro e a antiga ligação Blumenau/Indaial dependia muito de São Pedro.
Tangará também fazia alguns programas na Rádio Clube de Gaspar (todas pertenciam ao Flávio Rosa e Wilson Melro, donos da PRC-4) e às vezes era realizado um baita show noturno no antigo Cine Mock de Gaspar, na Rua Coronel Aristiliano Ramos, com um auditório vibrante e entusiasmado. Naqueles tempos era comum acontecerem nos cinemas os “programas de palco e tela”: além do filme havia sempre uma atração musical.
Mas onde mais se apresentavam os cantores sertanejos do rádio blumenauense naqueles idos de 50 ?
Nos parques de diversões ! Sim, porque todo parquinho tinha o seu pequeno palco,  onde pelas 10 da noite aconteciam apresentações artísticas. E o pessoal ficava até mais tarde, aguardando o show para ver ao vivo o artista que só conhecia pela voz no rádio…
E eu, assim como o Edemir de Souza, o Nilton Simas, o Ramiro, e tantos outros, aproveitávamos a carona e iamos junto, para apresentar no palco  o Tangará e as Irmãs Pera.
Aonde estará hoje em dia todo este pessoal ?
O Tangará, Antônio Pera, já morreu. Sua filha Silvia, também. Marina casou com o João Brockveld, radialista, e nunca mais os vi. Recentemente conheci o João, filho do Macuquinho, que já faleceu também.
E assim, tudo ficou na saudade de um rádio que cantava…e encantava.
 


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2 respostas
  1. Juliane das Neves says:

    Estou fazendo um trabalho de pesquisa em história da moda que envolvem fotos pessoais antigas e sua análise. Encontrei uma foto de meu avô com sua dupla tocando na PRC-4. Atrás da foto está escrito “Tangará e Macuquinho” e pesquisando sobre, encontrei essa publicação. Segundo meu pai, meu avô era o Macuquinho, seu nome, Acelino das Neves, que falesceu em 1972.

    Na foto os dois usam camisas xadrez, com chapéus de palha e lenços.
    Gostaria de saber se você tem mais informação sobre a dupla, seu repertório, etc.
    Acredito que um tempo depois meu avô tenha participado de uma outra banda, pois tenho várias outras fotos aqui…

    É muito bom saber que alguém escreveu sobre isso. Obrigada!

  2. Rubens João das Neves says:

    O “Seu Acelino”, (meu pai) foi um grande e popular pandeirista nos anos 40 e 50. Era casado com a Dona Pequena (Maria das Neves) e morava na Vila Operária, tranversal da Rua da Glória, no Bairro Garcia. Trabalhou por 35 anos na Empresa Industrial Garcia que foi incorporada pela Artex, onde se aposentou. Além de fazer dupla com o Tangará com o nome de Macuquinho, tocou em outros grupos e também na Banda Jazz Amazona (1957).
    Do pandeiro dele guardo apenas a chave de afinação pois este foi vendido e não consegui resgatá-lo.
    Possuo algumas fotos dele se apresentando na Rádio PRC-4, na Banda Jazz Amazonas e tocando com os amigos e irmãos.
    Se algém souber do paradeiro do pandeiro do seu Acelino, por favor me informem que tentarei resgatá lo.

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