Os Sonhadores – Roberto Alves

Publicado em: 31/01/2006

Em 2007, Roberto Alves – o Menino do Campo do Manejo -, completa 50 anos de atividade profissional. Nesse período ele percorre o longo caminho entre a mesa de som e o profissional multimídia que vem a se tornar.
Por Antunes Severo

Os 50 anos de lida nos vastos e delicados campos da comunicação fazem de Roberto Alves personagem de significado singular, entretanto. Do anonimato à consagração profissional como um dos mais perfeitos e atuantes profissionais da multídia de Santa Catarina e do Brasil, o Menino do Campo do Manejo comeu o pão que o diabo amassou. Mas, o fez com tal competência que o Príncipe das Trevas teve que dar-se por vencido e recolher-se à sua insignificância.
Roberto vence a pobreza, vence as dificuldades da vida familiar, vence as limitações por não ter feito um curso universitário, enfrenta os medos da adolescência e vai à luta. Vai em busca do seu sonho: trabalhar em rádio.


Na reportagem externa Roberto é campeão. TV Cultura, Canal 6.

Desde criança ouve rádio com fascínio. Sabe os nomes dos apresentadores dos programas de auditório, dos cantores e cantoras e dos maestros das orquestras das principais emissoras do Rio e São Paulo. Curioso e atento acompanha o noticiário do Repórter Esso, do Correspondente Renner e da programação das emissoras locais sabe até o trajeto que os radialistas percorrem para ir ao trabalho.
Assim, faz amizade com Onélio Rodolfo de Souza, seu vizinho que é “operador de som” e sonoplasta da Rádio Guarujá. Onélio também mora na rua Uruguai e passa diariamente na frente de sua casa. Roberto dá plantão e sempre puxa conversa com o amigo. Fala dos programas das rádios Nacional, Tupy, Tamoyo e Mayrink Veiga. Comenta a atuação de César de Alencar e Manoel Barcelos nos programas de auditório da noite anterior. Às vezes Onélio diz que está na hora de trabalhar e o pequeno Roberto o acompanha até a porta do prédio da “Mais Popular”, no início da rua João Pinto. Mas, não entra. Não tem permissão.
Numa dessas, o Menino do Campo do Manejo, cria coragem e propõe ao amigo: fala com eles que eu estou disposto a trabalhar pra aprender. Onélio fala com Acy Cabral Teive, diretor artístico da emissora.


Stewart Alves ou Roberto Granger?

Roberto relembra e confirma: foi “num longínquo primeiro de abril de 1957 (que) Onélio Rodolfo de Souza, um vizinho da rua Uruguai me levou para o rádio… Como operador de som, tudo começou”. E, a partir deste momento, como predestinação tudo acontece. Conta Roberto: “Daí foi um passo, até que Lauro Soncini, um dos nomes mais importantes do rádio esportivo da época me dá a primeira chance de empunhar um microfone”.
Treze anos depois de muitas conquistas no rádio, Roberto chega à televisão. Nesse veículo de comunicação passa por praticamente todas as funções que um profissional pode exercer, inclusive com cargos de direção.
Os ventos sopram e o Menino do Campo do Manejo enfrenta mais um grande desafio: aceita a proposta de Pedro Sirotsky e transfere-se para a RBS. Aí parece que o mundo se reinventa e ele volta ao rádio, faz televisão e ingressa no jornal. Na condição de profissional multimídia, rompe as barreiras dos horizontes brasileiros e desfila o seu charme por caminhos nunca antes navegados: cobre copas mundiais, viaja pela Europa, Estados Unidos e Japão. É o mané Beto internacional!
Tudo isso, porém, com a mesma simplicidade que o levou a subir os degraus da rádio Guarujá e ao lado do amigo Onélio a colocar o disco no prato, ligar o interruptor, pegar o braço do pick-up e soltar a agulha, certinho, em cima da primeira ranhura do disco de 78 rotações. Com aquele jeitinho maroto de “Barão Inglês” disfarçado de Stewart Granger em Missão Secreta, aquele filme de 1942.
:: Pedro Sirotsky (WMA)
:: Onélio Rodolfo de Souza (WMA)


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