Ouvir o que a comunidade tem a dizer

Publicado em: 17/02/2008

Uma das idéias consolidadas durante o 1° Fórum Nacional de Rádios Públicas, no fim do ano passado, foi a de que o rádio de hoje precisa resgatar suas origens, voltadas ao bem público, estreitando a interatividade com os ouvintes e criando uma relação cúmplice, não só do ponto de vista da própria linguagem radiofônica, mas da construção cidadã.
Por Lidiane Marinho

Isso foi amplamente debatido na mesa de debates com o tema “Radiojornalismo Público: Informação Democrática e Cidadania”.
A jornalista Helenize Brand, da Radiobrás, lembrou da interatividade, considerada a grande novidade do rádio. “Ele nasceu comunitário. E depois foi perdendo essas características.” É necessário, afirma Helenize, que o rádio volte à sua origem. O lema é abrir o microfone para a comunidade que sabe o que dizer. Ela reforçou, ainda, que o rádio público é um bem comum, e, portanto, deve ser de todos e não partidário.
Outra palestrante do evento, Eugenia Fernandes, da Radio France Internacional (RFI), enfatizou a necessidade do pluralismo na cobertura jornalísticas das emissoras. Ela afirmou que a RFI é ligada ao Ministério das Relações Exteriores da França, bancada pelos ouvintes que pagam uma taxa anual que equivale a cerca de R$ 45,00.  Segundo Eugênia, a RFI é a voz dos franceses e não a voz da França.
Já o jornalista Mário de Freitas disse que a Rádio Holandesa Neederland tem em sua proposta a preocupação com a cidadania. Segundo ele, trata-se de uma rádio que já atua em outros países, como no Brasil, desde 1974, e que  possui mais de 400 emissoras parceiras, como a Radiobrás e a Rádio MEC. Eles produzem programas e distribuem gratuitamente para rádios comunitárias. A linha editorial é interagir com a população, indo diretamente até ela, dando-lhes voz, de forma imparcial.
Já o jornalista Andréas Behn explicou que a Agência Pulsar trabalha com uma rede de fontes de dentro das rádios comunitárias. Segundo Andréas, as rádios comunitárias têm enfoque local, pois são voltadas para a comunidade. Ele salientou que falta vontade política em apoiar uma comunicação comunitária. Dessa forma, é crescente o surgimento da comunicação irregular, ou seja, a criação de rádios piratas. Para Andréas, a comunicação comunitária e a comunicação pública são dois lados da comunicação democrática. As duas se complementam. Mas para isso, é necessário capacitação técnica, informação e apoio político.
Site relacionado: http://www.unirr.org.br
 


 

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