Papo cabeça com Cláudio Raposão: a informação direto da praia

Publicado em: 16/01/2012

Surfista dedica-se há 25 anos à pesquisa das condições do mar, com informações preciosas para o esporte e para a navegação

Carlos Damião

Raposão. Foto Débora Klempous/NS

Cláudio Ricardo Sahonero, o Raposão, é surfista há 36 anos. Há 25 anos começou a observar e estudar as condições de tempo e mar, transmitindo boletins para rádio (atualmente na Record 1470). Seu trabalho pode ser conferido também na web (www.deolhonomar.com.br). Como é que começaste nessa atividade? Raposão – Em 1986 eu era surfista profissional e tinha curiosidade sobre as condições do mar. A princípio, criamos a figura do Surf Repórter, pioneiro no Brasil, com foco nas condições do mar para a prática do surfe e esportes náuticos. Com o passar dos anos fui me aprimorando em meteorologia, pois as ondulações dependiam dela, e hoje o meu forte é a meteorologia marítima, que abrange todos que dependem do mar tanto para esporte ou trabalho (pesca), refletindo também na parte terrestre.

As pessoas em geral se interessam cada vez mais pela previsão do tempo?

Raposão – Sim, as pessoas estão mais atentas ao tempo, pois muitas dependem das condições climáticas para suas atividades. Tudo o que está relacionado ao tempo, se vai dar praia no verão, ou se vai ter geada ou neve no inverno, são preocupações comuns atualmente.

Mudanças climáticas: mito ou verdade?

Raposão – As mudanças climáticas existem sim e estão em evidência! O que percebo são várias informações adversas, pois tudo isso ainda é muito novo para o Brasil. Alguns cientistas dizem que é mito e outros dizem que é fato! O mito fica por parte do desconhecido. O fato é que, com o aumento dos desmatamentos, queimadas, aumento populacional, mais carros circulando, automaticamente se amplia o desequilíbrio gerado pelos micro-climas. Outro fato; os polos podem derreter em um ciclo que levará anos e ainda pode congelar em outros ciclos que vão levar anos também. Por isso, esse é o maior desafio de quem trabalha com a meteorologia. Desvendar os mistérios do tempo e procurar saber os danos que poderão afetar o Planeta.

Por que chove tanto em Florianópolis no verão?

Raposão – Essa pergunta é complicada… Em alguns anos existe o fenômeno El-Niño e em outros ciclos o La Niña. Quem garante com certeza isso? Isso para mim também tem um pouco de mito. Atualmente os meteorologistas criaram um termo novo que é chamado de ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) que antes era desconhecido. Esse novo fenômeno está mais convincente, pois ele traz a umidade da Amazônia e se junta com a umidade do mar. Santa Catarina até que tem um clima mais equilibrado e sempre tem frentes frias. O calor associado aos sistemas frontais gera uma divisão de climas em que as chuvas vêm mais na faixa litorânea do Estado. No Oeste já não tem essa umidade que vem do mar e por isso as estiagens são maiores.

Continuas surfando?

Raposão – Ainda curto bastante o surfe, mas não de competição. Fui surfista profissional e competia direto, mas hoje quero entrar na água e surfar em paz em locais com pouca gente, o chamado free-surf, sem compromisso, apenas para contemplar a natureza e me exercitar. Minha melhor lembrança é do famoso Hang Loose Pro Contest, que rolou na Joaquina e pude ver os meus ídolos da época dentro da água bem de perto. Inesquecível mesmo ver surfistas como Mark Richards, Shawn Tompson, Cheyne Horan, Rabbit Bartolomeu, Tom Carrol, Mark Ochylupo e outros não saem de minha cabeça.

ND | Florianópolis | Sábado e domingo, 14 e 15 de janeiro de 2012 | @Damiao_ND

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