Papo cabeça com Luiza Lins

Publicado em: 18/11/2012

Produtora cultural destaca o cinema como forma de construção da cidadania: vem aí a Mostra de Cinema e Direitos Humanos

Outras mídias | Cinema

Carlos Damião

Luiza Lins é cineasta e produtora cultural e tem uma trajetória excepcional na produção de mostras cinematográficas em Santa Catarina. Foi presidente da Cinemateca Catarinense e produtora executiva de vários projetos culturais. É coordenadora geral da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e produtora local da Mostra de Cinema e Direitos Humanos, programada para o período de 3 a 8 de dezembro deste ano, no Cesusc, com entrada franca.

Como surgiu essa tua paixão pelo cinema, melhor ainda, por esses “recortes” temáticos de cinema?

O cinema fez parte da minha infância e da minha adolescência. Foi fundamental na minha formação e acredito que também é fundamental para a formação nos dias de hoje. A criança, o jovem e mesmo os adultos vivem em uma sociedade dividida em grupos. Esses grupos às vezes acabam não se relacionando, e geralmente acontecem os preconceitos. O cinema serve para mostrar estas outras realidades, ampliar o conhecimento sobre tudo, e também sobre nós mesmos. Mas não qualquer cinema, é por isso que eu realizo estas mostras.

A Mostra do Cinema Infantil está consagrada nacional e internacionalmente. Podes adiantar novidades para 2013?

A Mostra Infantil vai sendo elaborada durante o ano inteiro. Mal termina uma edição e já estou trabalhando para a próxima. É um trabalho contínuo, pois realizo também mostras e palestras em outras cidades do Brasil, e novas ideias vão surgindo. Para o ano que vem, faremos três pré-estreias de ótimos filmes nacionais para as crianças e um show musical no encerramento. O resto é segredo.

A Mostra de Cinema e Direitos Humanos tem algum diferencial para este ano? Algumas atrações que mereçam destaque?

A Mostra este ano está com uma programação maravilhosa. Filmes de curta, média e longa metragem, recentes e premiados em vários festivais. É um retrato do Brasil e também da América Latina nos dias de hoje. Teremos filmes que trabalham vários direitos, como o da mulher, com um documentário sobre a Maria da Penha. Exibiremos também o longa “Hoje”, da Tata Amaral, vencedor do Festival de Brasília do ano passado, inédito no circuito comercial, e a “A Demora”, longa metragem do Uruguai, que é indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Algum outro projeto na área de cinema ou o que vocês fazem já está de bom tamanho?

Eu quero sempre ampliar este trabalho que iniciamos aqui em Florianópolis. Já levamos a Mostra para outras cidades catarinenses e fazemos parcerias com outros estados. Produzimos DVDs com filmes para distribuição gratuita em escolas, cineclubes e ONGs de todo o país, e estamos elaborando um projeto grande de cinema para as crianças de todo o Brasil. Temos um site na internet, o www.filmesquevoam.com.br, que distribui filmes catarinenses e brasileiros para todo o mundo. E tudo começou na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

Qual a tua expectativa em relação ao novo prefeito de Florianópolis quanto a políticas de apoio à cultura? Lembrando que ele apostou, como secretário de Estado, na Maratona Cultural de Florianópolis.

Desejo boa sorte ao novo prefeito. E o papel do cidadão é cobrar e fiscalizar. Espero que ele coloque alguém para cuidar da área que seja preparado e entenda o novo cenário cultural do país. Cultura não é uma esmola para divertir a população, e sim fundamental para a construção da cidadania, e um direito de todos. Acredito que o município está mais alinhado com o Plano Nacional de Cultura, realizando editais e pensando em termos de política pública. E este é o caminho que tem que ser feito. Quanto à Maratona, se for feita com seriedade, seguindo todos os trâmites legais e com transparência, não tenho nada contra.

ND | Ponto Final | Papo Cabeça | @Damiao_ND | Florianópolis || Foto Fernando Mendes,arquivo ND

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