Papo Cabeça com Norma Bruno

Publicado em: 07/01/2012

“Beleza de Florianópolis é a sua originalidade”, diz a escritora, que usa as redes sociais para defender a Capital e sua cultura

Carlos Damião
Professora, formada em História, empresária, mãe de três filhos, cronista e contista, Norma Bruno é uma “militante” assumida das causas florianopolitanas, seja nas redes sociais, seja nos textos que publica em seu blog e no portal do Caros Ouvintes. “Gosto de inventar e de contar ‘estórias’”, diz a autora de A Minha Aldeia, um livro marcante, de declaração explícita de amor a Florianópolis, terra cuja beleza está sendo ameaçada por intervenções equivocadas dos gestores públicos. “Precisamos valorizar nossas peculiaridades”, diz a escritora neste bate-papo.
“A Minha Aldeia”, livro que lançaste em 2004, pode ser definido como uma síntese do teu amor por Florianópolis?
Norma Bruno – Costumo dizer que o livro é resultado das coisas que vi, que ouvi, que vivi e também do que inventei. Mas ele é, antes de tudo, uma declaração de amor àquela cidade provinciana que ainda existe nos vãos das pedras das nossas calçadas estreitas. É, sobretudo, uma homenagem ao jeito peculiar de ser e de sentir do ilhéu. Nascer numa ilha me deixou marcas profundas.
As crônicas que escreves giram quase sempre em torno de Florianópolis. De onde vem a tua inspiração?
Norma Bruno – Quando a cidade não é personagem, é cenário. Gosto de andar pelas ruas ouvindo e observando as pessoas. Basta um pouco de atenção e sensibilidade, as crônicas se apresentam inteiras. Depois é só transcrever.Sou colunista do site Caros Ouvintes (www.carosouvintes.org.br) onde publico as “Crônicas da Desterro”.
Do que mais sentes falta em Florianópolis? Tens aquela nostalgia de que “o passado foi melhor”?
Norma Bruno – Sou de natureza nostálgica, mas reconheço que nem tudo era bom no passado. A cidade evoluiu em muitos aspectos, mas perdeu a autenticidade, a tranquilidade e vem, gradativamente, perdendo a tão proclamada beleza. A maior perda é, sem dúvida, o seu patrimônio. Tanto o cultural quanto o natural.
E entre os defeitos da cidade, quais os que mais te incomodam?
Norma Bruno – A cidade está feia, suja e abarrotada. O centro ficou irreconhecível. Fruto da incompetência dos gestores (vereadores inclusive) do descaso dos empresários e até da própria população. Reina a mentalidade do “se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro!”. Todos deslumbrados e iludidos com Floripa, a “falsa Ibiza”.
Como cada um de nós pode contribuir para melhorar (e conservar) Florianópolis como cidade tão formidável?
Norma Bruno – “Quem ama cuida”. Precisamos parar de “explorar” a cidade, algo que os últimos governantes fizeram com maestria. Florianópolis não acaba na Ilha. Precisamos valorizar nossas peculiaridades, em vez de tentar moldá-las ao gosto do freguês. A beleza de uma cidade está na sua originalidade. Precisamos deixar de ter vergonha de ser quem somos!
Um trecho de A Minha Aldeia…
Norma Bruno – “A aldeia continua viva em mim. Ela é qualquer lugar onde eu tenha a sensação de largar o fardo, sentar à sombra e beber um pouco de água fresca. É o lugar onde me sinto protegida e encontro as pessoas que, apesar de peregrinos de seus próprios caminhos, partilham comigo o mesmo espaço e o mesmo fragmento do tempo”.

ND | Ponto Final | Carlos Damião | Sábado, 7 e 8 de janeiro de 2012 | Foto: Marco Santiago

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