Papo Livre 114: os mascates, os barateiros e os turcos da prestação

Publicado em: 07/11/2010

Há muitos, mas muitos anos, comerciavam em Curitiba alguns mascates, também chamados de “barateiros” ou “turcos da prestação”. Naquela época eram chamados de turcos todos os que tinham origem árabe. Esses mascates, em geral imigrantes sírios, carregavam pesadas malas nas costas levando as suas mercadorias, e percorriam as ruas de nossa cidade, pelos nossos bairros, batendo de casa em casa. Um trabalho cansativo. Eles introduziram o sistema de vendas a crédito com a divisão em prestações. As pessoas faziam as compras e os mascates anotavam os valores num caderninho e todo mês voltavam às residências para fazer a cobrança das prestações. Com as vendas aumentando, alguns deles compraram carros de tração animal, as chamadas charretes com toldos de lona, o que permitiu que transportassem mais mercadorias.

 Acompanhando o desenvolvimento da cidade, alguns mascates instalaram pequenas lojas e houve os que se tornaram comerciantes muito respeitados e até fizeram fortuna. Os mascates faziam as vendas sem nenhuma garantia e era muito raro terem problemas na cobrança.
 
Quando eu estudava no antigo e glorioso Ginásio Paranaense alguns colegas,  na hora do recreio, ficavam na rua à espera da passagem de charretes de mascates com toldo de lona. Sabem pra que? Só pra dar tapas nas costas dos assustados mascates e sair correndo pra dentro da escola. Molecagem, não é?
Nessas recordações eu avivo minha memória com o livro de João Marcassa “Curitiba, essa velha desconhecida”.

Este nosso Papo Livre transmitido pela Rádio Paraná Educativa AM 630 aos domingos, das 7 às 8 da manhã, é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *