Papo Livre 12

Publicado em: 09/07/2008

As Notas de Falecimento, bastante comuns nas emissoras de Rádio, já deram oportunidade para muitas gafes dos nossos radialistas. Vou contar algumas delas. Começo com uma do meu amigo Vicente Mickosz, veterano locutor, um dos grandes valores do nosso Rádio. Foi lá por 1.950.


Certa vez, com aquele nervosismo característico dos principiantes, Vicente Mickosz ao anunciar os falecimentos do dia, disse assim:

– Prezados ouvintes, é com o máximo prazer que anunciamos o falecimento das seguintes pessoas.

Máximo prazer? Ele percebeu a gafe e ficou ainda mais nervoso, ficou vermelho, mas fazer o que, corrigir de que jeito? Ele foi adiante se esforçando pra não rir, enquanto seus colegas se arrebentavam em gargalhadas.

Mais recente que essa tem uma de outro amigo, o Mikel Monteiro.
Corria o ano de 1.995. O locutor Mikel Monteiro, então com seus quinze anos de idade, atuava na Rádio Chapecó, na cidade do mesmo nome, em Santa Catarina.

Certo dia, ao chegar à emissora para apresentar o seu programa “Brasil Caboclo”, o Mikel encontrou um rapaz muito abatido que lhe entregou um bilhete. Era a comunicação do falecimento da mãe do rapaz que havia ocorrido naquela madrugada. O entristecido jovem pediu ao Mikel que comunicasse o falecimento em seu programa, pois era certo que os parentes, ouvintes assíduos do mesmo, assim ficariam sabendo da lutuosa ocorrência.

Na hora de anunciar o falecimento, o técnico de som colocou uma passagem musical adequada e o Mikel Monteiro entrou:

– Nota de Falecimento!
E aí se deu a encrenca. Onde é que estava o bilhete que o rapaz deixara? Procura daqui, procura dali, mexe num bolso, mexe no outro, e nada do bilhete com o nome da falecida. Então o Mikel, meio atordoado, anunciou:

– Não percam ouvintes: dentro de instantes, Nota de Falecimento!

Só faltou ele dizer: Aguardem a nossa próxima atração: Falecimentos!

E para encerrar, vai uma dos anos 1960. A Rádio Clube Paranaense apresentou durante algum tempo, às seis horas da manhã, um programa com Militão, O rei do violão. Militão era um exímio violonista e dava gosto ouvi-lo tocar. Apesar de tão cedo, seu programa recebia inúmeros visitantes  todas as manhãs. Pessoas que iam para o trabalho e antes passavam na Rádio para ouvir “o rei do violão”, familiares de aniversariantes que levavam seus nomes para prestar-lhes homenagens oferecendo-lhes as músicas, e por aí a fora.

Certa manhã, um cidadão humilde e muito sério aproximou-se do palco onde estava o Militão e entregou-lhe um bilhete. Militão olhando o recado, sorridente e gentil, disse o seu costumeiro chavão:

– Pois não, meu amigo. Com muito prazer e alegria vou ler o seu recado. Pode ser que eu passe lá pra toma uma cervejinha com vocês. Um abraço pra você e toda a sua família. Faço votos que essa data se reproduza por muitos anos.

O cara olhou meio assustado e foi embora. Quando o locutor que apresentava o programa foi olhar o bilhete, viu que se tratava de uma nota de falecimento. Era mais uma gafe do Militão que sempre procurava esconder o seu problema: ele não sabia ler.

1 responder
  1. Milton Cyriaco Pignataro says:

    = Caro colega Ubiratan Lustosa: Eu tive o prazer de ter amizade e também trabalhar em programas do “Militão o rei do violão”. – Porém nunca soube o verdadeiro nome dele; será que o colega sabe? – Se possível uma resposta pelo meu email miltonpignataro²yahoo.com.br – Grato. MILTON CYRIACO PIGNATARO.

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