Papo Livre 126: quando a gente nascia em casa

Publicado em: 06/02/2011

E chegou a hora do nosso Papo Livre para eu contar causos pra vocês. Vamos voltar à Curitiba de oitenta anos atrás, época em que o nascimento das crianças não tinha o acompanhamento médico de obstetras e não era realizado em maternidades. As crianças nasciam em casa mesmo e os partos eram acompanhados por parteiras, bondosas mulheres que não tinham nenhum curso, mas muitos conhecimentos, quase todas atuando sem cobrar pelo seu trabalho. As crianças nasciam com os olhos fechados e só após alguns dias é que os abriam.

Durante algum tempo ficavam enleadas em faixas. Uma no umbigo até o mesmo cair. Outra faixa, mais larga e comprida, protegia todo o corpo. Não havia fraldas descartáveis e os bebês eram protegidos por fraldas de pano, prezas com alfinetes de gancho, que eram lavadas, fervidas e usadas novamente. Usavam-se as conhecidas camisinhas de pagão, cueiros e babeiros. As roupinhas dos bebês eram feitas pelas mulheres da família, muitos agasalhos de tricô e crochê, verdadeiras obras de arte.

Depois do parto, as novas mãezinhas permaneciam nos quartos, numa dieta que durava quarenta dias e na qual os familiares lhes davam muita canja para as alimentar e fortificar. Algumas tomavam cerveja preta. E tem mais: o quarto ficava quase às escuras.
 
Se vocês não acreditam, perguntem a uma senhora com 80 anos ou por aí. Ela vai contar mais coisas curiosas.
 
Mesmo com todas essas dificuldades, muitas mulheres deram à luz dez, quinze filhos, e até mais. Difícil de imaginar nos dias atuais.
 
Este nosso Papo Livre transmitido pela Rádio Educativa AM 630 aos domingos, das sete às oito da manhã, é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo.

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