Papo Livre 28

Publicado em: 23/11/2008

Estávamos estreando os “Walkie-talkies”, transmissores e receptores portáteis que eram a mais recente novidade. Grandes e pesadíssimos eram úteis e cansativos.

Certo dia a nossa equipe de esportes foi transmitir um jogo no Estádio “Durival de Brito”. Seria a inauguração dos refletores desse Estádio num jogo contra o “Estudiantes de la Plata” ou o “Newell’s Old Boys”, não lembro ao certo. Eu gostava de futebol e pedi ao narrador Carlos Alberto Moro para ir junto com a equipe para assistir o jogo.

Lá estando, o jogo já ia começar e o repórter de campo Martins Rebelatto ainda não havia chegado. O Carlos Alberto não teve dúvidas e me mandou com o pesado microfone para ficar ao lado de um gol.

Quando o jogo começou, eu comecei a tremer. Eu não sabia os nomes dos jogadores. De repente, para meu desespero, um escanteio bem no lado em que eu estava e o narrador comandou:

– “É com você, Ubiratan!”

Hum! E quem disse que eu falei alguma coisa. Carlos Alberto Moro insistiu:

– “Vai daí, Ubiratan!”

Silêncio total, congelei, fiquei travado e nada falei. Eu estava lá, mudo e perdido sob a neblina que havia naquela noite e não sabia o que fazer. Por sorte, não demorou a chegar o Martins Rebelatto que assumiu o posto.

Eu passei a dar mais valor aos narradores e repórteres… E nunca mais me meti a transmitir jogo de futebol.

Esse nosso papo livre é reproduzido com texto e som no excelente site

www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo, e toda a minha coleção de causos está no site www.ulustosa.com.

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