Papo Livre – 54

Publicado em: 29/06/2009

Wanderlei Dias era um cara genial. Escrevia textos lindos e cheios de sabedoria. Honrou a radiofonia paranaense, tendo atuado com brilhantismo em várias emissoras, entre as quais a Rádio Guairacá onde produziu vários programas, a Rádio Colombo e a Clube Paranaense.  Suas crônicas eram apresentadas no rádio e publicadas na Gazeta do Povo na sua coluna “A vista do meu ponto”.

O Wanderley Dias gostava de um bate-papo e era especialista em contar causos. Ele tinha um curioso costume: quando alguém lhe perguntava quantos anos tinha ele sempre acrescentava mais dez anos. Quando tinha cinquenta dizia que tinha sessenta, já nos sessenta dizia que estava prestes a completar setenta. Sempre assim. Quem me explicou o motivo dele fazer isso foi um de seus grandes amigos, o Elon Garcia. É que dizendo que tinha dez anos a mais as pessoas elogiavam a sua postura e o achavam conservado, em boa forma. E ele se divertia com isso.

Outro amigo seu, o professor Antonio Vicente Pereira Filho, o Toninho, me contou que certa vez o Wanderley Dias, que era advogado e alto funcionário da Caixa Econômica, foi enviado para trabalhar por algum tempo em Paranaguá. A população dessa cidade litorânea é famosa pelo costume de dar apelido a todo mundo. Chegou lá e ficou alguns dias, pronto, já ganha um apelido. O Wanderley, apesar de muito respeitado, não escapou.

Sempre que terminava o expediente, antes de ir para casa ele passava numa banca para apanhar os jornais que ficavam reservados para ele. Era uma rotina. Jornais e revistas eram colocados em baixo do braço e ele seguia o seu caminho. Todos os dias o viam levando jornais e revistas debaixo do braço e daí nasceu o apelido que lhe deram: sovaco ilustrado.
O próprio Wanderley contava o fato e largava aquele seu sorriso do qual todos temos saudade.

Esse nosso papo livre é reproduzido com texto e som no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo, e toda a minha coleção de causos está no site www.ulustosa.com

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