Papo Livre – 76

Publicado em: 13/12/2009

São elogiáveis os laços de amizade fraterna que unem os radialistas. Muitos anos atrás veio do Rio Grande do Sul um locutor, jovem como todos nós, batalhando da mesma forma que a gente, com os mesmos problemas financeiros que quase todos tínhamos. Na verdade a gente não tinha ordenados que proporcionassem folga. Para melhorar a renda mensal a gente criava programas e corria a praça em busca de patrocinadores. Desses patrocínios recebíamos comissões. Pois bem, o gaúcho que veio trabalhar conosco na Bedois, um baita dum locutor, vivia numa tanga danada. 

Seu nome, Ayrton Fagundes. Competente profissional e colega excelente, logo fez amizade com toda a nossa turma que o admirava e lhe devotava grande estima. Época de vacas magras, o Fagundes usava um sapato que – sem exagero – estava tão gasto que se enxergava a sola dos pés, pois meia ele não usava. Os colegas brincavam muito com ele e frequentemente alguém dizia:

– Pombas Fagundes! Ta na hora de comprar um sapato. Larga mão de ser pão-duro.

E a resposta era sempre a mesma:

-Ainda não dá. Antes tenho outras coisas para fazer.

O pior é que era verdade, não era desleixo não, mas falta de dinheiro mesmo. Um dia fizemos o Fagundes chorar de emoção. Por ideia das locutoras da Rádio, mesmo tendo pouco, fizemos uma vaquinha e compramos um sapato pro gaúcho. No dia da entrega do presente foi a maior farra e uma imensa alegria para todos.

Coisas assim aconteciam muito naqueles tempos, demonstrando que os que têm pouco sempre encontram um jeito de ajudar a quem tem menos.

Graças a Deus todos melhoramos de vida, o Ayrton Fagundes voltou para Porto Alegre e fez sucesso. A gente nunca mais teve o prazer de se encontrar, mas jamais o esquecemos.

Este nosso Papo Livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo, e a minha coleção de causos está no livro “O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua História”. Informações a respeito na Editora Instituto Memória – Telefone 3352-366.

3 respostas
  1. FLAVIO BOVO says:

    Ser locutor de radio é uma dádiva de Deus. É curioso, como o radio é importante na vida das pessoas. Todo mundo que tem um veiculo, a primeira coisa qdo entra no mesmo é ligar o radio, seja na faixa AM ou FM. E lá esta a noticia, as vezes pela metade (porque ligou o radio e já estava sendo comentada)e as vezes não. Como se fosse automático, mudamos de estação, alguns procurando noticias outros uma boa musica para fazer companhia enquanto dirigem seus veiculos. Existem locutores, que prendem atenção do ouvinte, porque sabem fazer da noticia uma informação de grande valia para a coletividade. O radio é a companheira 24 horas ininterrupta e sempre foi assim, “eu” particularmente, prefiro ouvir “no radio uma noticia ou comentario esportivo” não abro mão de ter um radio no meu veiculo. Como todo mundo também age dessa forma, até para comprar um carro, ele tem que ter um radio, senão dificulta a venda do mesmo. O Radio é a maravilha do mundo.

  2. ANTONIO MAGALHAES FILHO says:

    Sempre que for possivel, vou fazer uma narração do acontecido e mostrar que o rádio ainda é o veiculo mais importante que a Televisão. Rádio é ouvido em todos os cantos do planeta.

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