Papo Livre – 90

Publicado em: 17/04/2010

E chegou a hora do nosso papo livre para eu contar causos pra vocês. Vez ou outra eu gosto de lembrar os tipos populares da nossa Curitiba dos velhos tempos. Um deles era conhecido por Pé Espalhado. Seu nome era João Cordeiro e ele era visto em Curitiba nas décadas de trinta e quarenta. Para obter mais informações sobre essa curiosa figura da cidade eu fui consultar o livro de meu amigo Professor Valério Hoerner Júnior, “Ruas e Histórias de Curitiba”.

Por que apelidaram o homem de Pé Espalhado?  Segundo o Professor Valério, esse apelido foi dado porque ele andava com os pés naquela posição de “dez pras duas”. Olhe o relógio nesse horário e você verá a posição em que ficavam os pés do homem. Além disso, ao caminhar ele jogava as pernas para  a frente a cada passo que dava.

A profissão do Pé Espalhado era a de limpador de chaminés. Antigamente, quando eram usados os fogões à lenha nas residências, tinha disso: com o passar do tempo, a fuligem se depositava nos canos das chaminés e era preciso fazer uma limpeza. Era a especialidade do Pé Espalhado. As pessoas gostavam dele porque ele sabiamente não se metia na vida de ninguém. Era uma pessoa de boa paz, simples e até um pouco ingênuo.

Uma característica do Pé Espalhado era a de não perder velório. Naqueles tempos não havia capelas mortuárias, o velório era feito na casa do falecido. O Pé Espalhado, ao saber de um falecimento, ia participar do velório e entrava pesaroso na casa onde o mesmo acontecia e, mesmo sem conhecer ninguém, comportava-se como se fosse membro da família.

João Cordeiro, o Pé Espalhado, gente boa, faleceu em estrema pobreza.

Essas informações estão no livro “Ruas e Histórias de Curitiba” de  Valério Hoentner Júnior.
Este nosso Papo Livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo.

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