Paraíso do pecado

Publicado em: 06/07/2007

Houve época em que falar em Vila Palmira, não significava apenas se referir a um bairro qualquer. Tratava-se, na realidade, da mais famosa zona de meretrício da Grande Florianópois. Nas proximidades daquele “Paraíso do Pecado” ficava a sede da Rádio Jornal A Verdade, fundada originalmente pelo saudoso Manoel de Menezes.

 
O Alfredo Gentil Costa – hoje professor aposentado e tradutor de inglês – num determinado momento da sua vida foi “disc-jockey” daquela emissora. Para ser mais preciso, o fato que aqui se narra ocorreu em junho de 1972. A emissora era dirigida pelo Padre Quinto David Baldessar, pároco da comunidade católica do Estreito e capitão-capelão do Exército e que, por isso,nem sempre se encontrava na Rádio.

O Alfredo trabalhava de graça, porque o programa não tinha patrocinador, e levava seus próprios discos. Álém disso, por morar no centro, ia com o próprio carro, já que os estúdios da emissora estavam localizados junto ao transmissor, mais precisamente no bairro Jardim Atlântico, na região norte da Grande Florianópolis.

Ele chegou à Rádio por volta das 19 horas. O inverno rigoroso estava ainda mais frio, com a chuva forte que caía naquela noite de junho. O vigia ficava protegido no beiral da velha casa do transmissor, que também abrigava o estúdio, onde, nos finais de semana, só permanecia o técnico de som.
 
Do portão, Alfredo vê o vigia e logo pergunta, interessado:
       – Oi, amigo, cadê o operador de som ?
O guarda, descuidado e solícito, responde:
       – Ele deu uma saidinha, foi até ali na Vila Palmira fazer um “instante”. Pediu pra ninguém contar p’ro Padre Quinto…
 
Enquanto isso, os caros ouvintes da Rádio Jornal A Verdade curtiam uma programação pré-gravada em fita de rolo, com uma hora de duração…

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